Mulheres portuguesas fazem mais 'ghosting' nas aplicações de encontros. E há uma razão para isso

Estudo português revela que quase sete em cada dez inquiridas nas dating apps desapareceram depois de primeiras conversas nas aplicações de encontros
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Desaparecer sem deixar rasto depois de uma conversa inicial e até promessa de encontros feitos via online pode ser bastante traumático para os utilizadores. As portuguesas parecem liderar este comportamento e investigadora explica a principal razão para isto: proteção
Mais de sete em cada dez utilizadores de dating apps (72%) desapareceram sem deixar rasto após terem estabelecido contacto online em plataformas de encontros. O estudo Os Portugueses, as Portuguesas e as Dating apps revela que 69% das inquiridas admitiu ter feito ghosting (alusão ao desaprecer sem deixar rasto como se de um fantasma se tratasse), colocando as mulheres a liderarem neste comporrtamento que é, afinal e como indica a investigação, "um fenómeno generalizado, reforçando a ideia de que a interrupção súbita da comunicação está normalizada nos contextos das dating apps", lê-se no documento.
A autora e investigadora Rita Sepúlveda tem explicações para esta realidade.. "O ghosting, no caso delas, é mais prevalente porque recebem muito mais mensagens, porque estão em menor número nas plataformas, e estas diferenças levam-nas a protegerem-se mais do que eles", justiifica. "Troca de conversas desinteressantes, agressivas, ou mesmo depreciativas face à mulher, abordagens que elas condenam, levam-nas a tomar esta reação", acrescenta a autora.
Olhando para o estudo, a investigadora do ICNOVA - Instituto de Comunicação da Nova, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova, revela que "eles dão uma avaliação mais positiva às dating apps ao contrário delas", refere. No caso das mulheres, especifica Sepúlveda, "as apps perdem por não entregarem os resultados que elas estão à espera, mas também por causa do contexfo da plataforma, do design, da pessão que sentem para manterem um perfil, sentirem-se desejadas e que corresponda a determinados estereótipos".
Investigadora Rita Sepúlveda (Foto: DR)
Uma realidade à qual se acrescenta - sempre - a segurança. "São muito mais elas a reportarem maior preocupação com esse fator", sublinha a investigadora. Estudo auscultou quase 700 utilizadores entre os 18 e os 55 anos

