
Suspeitos ofereciam bebidas e drogavam as vítimas
Foto: unsplash
Todos os segundos contam quando se é vítima de alguém que adulterou a sua bebida para a fragilizar, seja para posterior roubo ou para violação. O primeiro sinal deste "ataque silencioso" é o de que, mesmo que tenha ingerido bebidas alcoólicas, não é caso para estar com sintomas tão exagerados. Antes de sair para a grande festa do ano, o "réveillon", saiba como se prevenir e como atuar caso sinta que está ser vítima de "spiking". Entretanto, nunca perca de vista a sua garrafa ou copo. Nunca, mesmo.
Apesar de a polícia não ter dados que permitam aferir da quantidade de casos de adulteração de bebidas com o intuito de fragilizar a vítima para roubar ou abusar sexualmente dela, a PSP já avisou, em declarações à Delas.pt, que as mulheres estão em maior risco de spiking.
A horas de se preparar para sair e para uma noite que deve ser alegre, a da passagem de ano, veja quais os sinais de que está a ser vítima deste ataque silencioso, mesmo que se sinta algo "perdida" e com lapsos de memória, a quem pedir ajuda e quanto tempo tem para ir ao hospital e pedir análises. Depois, é tempo de prosseguir para a queixa contra quem atentou contra si.
"Uma das primeiras sensações após o spiking é a de que 'algo não está certo, mas não consigo explicar o quê', confirma a psiquiatra Maria Moreno, com trabalho desenvolvido na área das dependências. Por isso, vinca a especialista, ser vítima de adulteração de uma bebida "não é uma má noite em que bebemos mais do que o habitual". E prossegue: "De repente, surge uma sensação súbita de embriaguez desproporcional - "não bebi assim tanto para me sentir assim" -, a queda é rápida, quase "vertical", a pessoa sente-se confusa, pode ter dificuldade em perceber onde e com quem está, em falar e em articular frases ou pedir ajuda."
Maria Moreno chama à atenção para sinais como "sensação de pernas "de algodão", marcha instável, dificuldade em segurar objetos e uma má disposição que surge do nada".
Mas as reações não acabam nas horas que se sucedem a este "ataque" silencioso. O dia seguinte traz "memória com falhas, buracos ou "saltos" temporais apesar de não haver razão para isso", acrescenta a psiquiatra.
Pedir ajuda, ir ao hospital
e não tomar banho até recolha de provas
A psiquiatra Maria Moreno recomenda que, mediante suspeita de intoxicação e mesmo sem estar no pleno das faculdades, a vítima deve "procurar ajuda imediatamente". E elenca duas prioridades: "procurar os amigos, um segurança do local ou do staff do sítio onde se está" e a de "não se ficar sozinha". "A polícia deve ser logo informada", acrescenta a especialista, lembrando que em casos como estes "não ha tempo para hesitações".
Até percebermos o que se passou, não devemos tomar banho, lavar a roupa, apagar mensagens trocadas, tudo serve como pista", sublinha a especialista da clínica Cognilab. Para isso, a ida ao hospital é indispensável. "Idealmente, devemos chegar - para análises específicas - nas primeiras quatro a seis horas [após a suspeita de intoxicação] mas, mesmo depois disso, vale sempre a pena ir".
Maria Moreno explica que "as janelas de deteção [das substâncias] são um dos grandes desafios porque, dependendo da droga e da procura no sangue ou na urina, pode tratar-se de um período de três a 48 horas". "Quanto mais cedo procurarmos ajuda, melhor a probabilidade de documentarmos a presença destas substâncias", afirma.
Eis as substâncias mais comuns nestes ataques
"Mais do que diferenças, as substâncias usadas em casos de spiking têm um padrão comum: atuam depressa, tiram a capacidade de reagir e apagam partes da memória", avisa Maria Moreno.
Ao detalhe, a psiquiatra explica que "as mais frequentes são o GHB/GBL, drogas rápidas e potentes que deixam o corpo sem força e a mente sem registo do que aconteceu, e quase não deixam rasto nas análises". "A ketamina retira a coordenação e cria um estado de dissociação, como se a pessoa estivesse "fora" do próprio corpo", especifica a especialista. Já a "célebre escopolamina, rara em Portugal, é conhecida pela obediência passiva e amnésia profunda que causa".
Drogas incomuns que coexistem com substâncias de acesso mais facilitado. "As benzodiazepinas - como o alprazolam, o diazepam ou o lorazepam e conhecidas como "comprimidos para dormir ou para a ansiedade" - pertencem a quase qualquer farmácia caseira ou o álcool adulterado para ser adicionado em quantidades muito acima do normal provocam sedação, confusão e falhas importantes de memória", sublinha Maria Moreno, casos "suficientes para a "desligar" antes sequer de perceber que algo está errado".

