"Talvez nunca tenha sido tão importante como agora assinalar o Dia das Mulheres", diz presidente da CITE

Carla Tavares, presidente da CITE
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Não se trata apenas de recuo, é importante pôr os olhos na estagnação dos direitos das mulheres e como isso significa um retrocesso numa luta que soma mais de um século. Presidente da CITE, Carla Tavares, explica porque se deve, mais do que nunca, ir para a rua lutar neste domingo, 8 de março, no Dia Internacional da Mulher
"Talvez, nas últimas décadas, nunca tenha sido tão importante, como agora, assinalar com toda a determinação, o Dia Internacional das Mulheres". A frase é da presidente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), Carla Tavares, que deixa bem clara a urgência de lutar em prol dos direitos das mulheres, que, apesar dos progressos das últimas décadas, parecem estar a registar travagens - e mesmo recuos - nos últimos anos: seja dentro ou fora de portas. Carla Tavares considera que "o perigo já não é só o retrocesso, mas, igualmente, a estagnação e, na verdade, havendo estagnação nos direitos, o retrocesso é inevitável, e não o podemos permitir".
Entre as maiores ameaças, a presidente da CITE, entidade que promove e atua pela igualdade e não discriminação entre homens e mulheres no trabalho, no emprego e na formação profissional, pela proteção na parentalidade e pela conciliação da vida profissional, pessoal e familiar, destaca as principais ameças que vê chegar. "Quando por força do espaço dado à extrema-direita populista, voltamos a ver ser questionado o direito das mulheres a exercer o seu voto, ou quando, pela primeira vez em décadas, assistimos a um ataque aos direitos laborais e sociais conquistados, importa reforçar a importância deste dia e recordar os verdadeiros motivos que estão na origem da sua criação", avisa.
O dia Internacional da Mulher, que se celebra este domingo, 8 de março, nasceu em movimentos operários e feministas na Europa e Estados Unidos da América nos finais do século XIX e na sequência da luta por melhores salários e condições de trabalho. A oficialização da data teria lugar quase um século depois, em 1975, quando as Nações Unidas concretizava uma proposta para a criação de um dia anual para evocar esta batalha e que nasceu originalmente em 1910, durante a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas.
"Os direitos das mulheres não estão todos conquistados e, ainda que estivessem, essa luta nunca podia ser abandonada, porque se trata de uma luta constante contra os permanentes perigos de retrocesso", alerta Carla Tavares.

