Seguro respeita independência profissional da mulher e conta com ela quando "as funções de Estado o exigirem"

Margarida Maldonado Freitas ao lado de António José Seguro, eleito Presidente da República
Lusa
António José Seguro foi eleito Presidente da República este domingo, 8 de fevereiro, e revelou que contará com a mulher Margarida Maldonado Freitas "sempre que as exigências do Estado exigirem", mas respeitará a decisão de ela continuar a sua vida profissional como empresária independente e farmacêutica.
Seguro já tinha avançado que não faria do Palácio de Belém residência oficial e que, possivelmente, o papel de primeira-dama poderia não regressar à presidência. Aliás, Marcelo Rebelo Sousa prescindiu dessas funções durante os dois mandatos, dez anos, em que foi Presidente da República.
Em noite de vitória na segunda volta das Presidenciais, António José Seguro reiterou que o papel da mulher Margarida Maldonado Freitas no futuro do exercício das suas funções, para os próximos cinco anos, deverá respeitar a sua vida profissional como empresária independente, no caso ligado à propriedade e gestão de farmácias.
"Contarei com a Margarida ao meu lado sempre que as exigências do Estado o exigirem", afirmou António José Seguro a partir do Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, sede da vitória do candidato.
Contudo, deixou bem clara a escolha que a farmacêutica venha a fazer. "Respeitarei sempre aquilo que forem as suas decisões. (...) A minha mulher é uma empresária independente, é uma mulher com vida própria e respeito isso ".
(Foto: Lusa)
Seguro chegou à noite da vitória, sendo o candidato eleito com mais votos nos 50 anos de democracia, acompanhado da mulher, com quem se casou em 2001, e dos filhos Maria e António.
Partindo de um patamar, nas sondagens de há cerca de um ano, que não chegava aos dois dígitos, Seguro terminou a corrida presidencial com o dobro do resultado do seu adversário, o líder do partido Chega, André Ventura, e com uma força política reforçada pelo segundo melhor resultado percentual de sempre de um candidato a Belém.
Com esta vitória, Portugal volta a ter um Presidente da República militante do PS, após os mandatos de Aníbal Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa nos últimos 20 anos e numa altura em que o PSD está no poder e os partidos à direita dos socialistas dominam dois terços do parlamento.
Com 66,8% (3.480.158 votos), quando faltavam apurar os resultados e sete consulados - 20 freguesias adiaram a eleição por uma semana - o ex-secretário-geral do PS já tinha batido o recorde de votos expressos de um candidato em eleições presidenciais, detido por Mário Soares nas eleições de 1991 (3.459.521). Seguro ficou, contudo, atrás dos 70,3% de Mário Soares no sufrágio de 1991, que percentualmente continua a ser o maior sempre.
Na eleição de hoje, o candidato da área socialista obteve 66,8% contra 33,2% de André Ventura, ao qual a derrota não impediu que reclamasse a liderança da direita em Portugal, num discurso que já vinha ensaiando durante a campanha eleitoral.

