Direitos nunca garantidos devem empurrar luta para a igualdade. CITE e CIG elencam razões

Greve Geral dia 11 de dezembro, manifestação na avenida dos aliados, no Porto. ( Carlos Carneiro )
Foto: Carlos Carneiro
Da violência doméstica à transição digital, da educação ao mercado de trabalho. A plena igualdade das mulheres face aos homens ainda está por cumprir. Em dia de evocação do Dia Internacional da Mulher, a 8 de março, veja as lutas prioritárias definidas pelas responsáveis da Igualdade no Trabalho e da Cidadania.
Os direitos conquistados pelas mulheres nas últimas décadas estão, apesar de avanços nas últimas décadas, em recuo ou a estagnar. Seja na vida privada ou pública, as ameaças crescem de toda a parte, no presencial e no online. Não faltam, infelizmente, motivos para evocar o Dia Internacional da Mulher, que acontece este domingo, 8 de março.
"Talvez, nas últimas décadas, nunca tenha sido tão importante, como agora, assinalar com toda a determinação, o Dia Internacional das Mulheres." A frase é da presidente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), Carla Tavares.
Carla Tavares, presidente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (Foto: DR)
A Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), presidida por Carina Quaresma, lembra que "apesar dos muitos avanços, que são evidentes, persistem desigualdades em termos económicos, profissionais, sociais, de capacidade de conciliação entre vida profissional, pessoal e familiar".
Carla Tavares deixa claro que "o perigo já não é só o retrocesso, mas, igualmente, a estagnação de direitos", e com esta "o retrocesso é inevitável, e não o podemos permitir". A presidente da CITE destaca as principais ameaças que vê chegar. "Quando por força do espaço dado à extrema-direita populista, voltamos a ver ser questionado o direito das mulheres a exercer o seu voto, ou quando, pela primeira vez em décadas, assistimos a um ataque aos direitos laborais e sociais conquistados", avisa.
Para Carina Quaresma, é preciso olhar para "desigualdades estruturais ao longo de todo o ciclo de vida" numa realidade em que "as mulheres, sendo a maioria da população residente (52,2%) e vivem mais anos, acumulam desvantagens económicas, sociais e de saúde".
Carina Quaresma, presidente da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (Foto: Divulgação)
Para lá da "violência doméstica, cuja prevenção e combate são uma prioridade, e que reflete uma das mais gravosas manifestações de desigualdade de género", a presidente da CIG sublinha fatores como "a educação que já não chega para garantir igualdade no trabalho e no rendimento" ou a "transição digital que está a reproduzir desigualdades de género".
Manifestações marcadas em todo o território
Luta volta à rua neste domingo, 8 de março, em 19 cidades do território nacional. No Porto tem início às 14.30 horas, na Praça da Batalha, sob o lema "Igualdade, Direitos e Justiça". Lisboa, entre o Marquês e Restauradores, será palco de duas manifestações a partir das 15 horas: a da Plataforma Feminista e a do Movimento Democrático de Mulheres. Esta estrutura marca ainda presença nos restantes concelhos, de Bragança a Faro, passando pelo Funchal, com ações pelos direitos das mulheres (cujo calendário pode consultar aqui), a começarem entre as 14.30 e as 15 horas e sob o lema "Vida com dignidade".

