
Patrícia de Melo Moreira/AFP
Há 33 anos que o Benfica não jogava num domingo de Páscoa. Até ontem, quando venceu o 33.º título de campeão com Luís Filipe Vieira, o 33.º presidente do clube. E Jesus Cristo ressuscitou aos 33 anos...
No futebol o que conta é sempre como termina a história e não como começa. A ideia encaixa bem no percurso do Benfica ao longo de um campeonato que pareceu uma maratona cerebral e sem a fúria dos 100 metros. Os encarnados entraram muito mal na prova, com uma derrota no terreno do Marítimo (2-1) e o céu negro desabou sobre a equipa até as nuvens serem afastadas pelo sol. Ontem, o domingo de Páscoa teve o sabor das amêndoas doces com a conquista do 33.o título de campeão nacional na antepenúltima jornada da prova, graças a um triunfo sobre o Olhanense (2-0).
O percurso do Benfica foi mesmo uma maratona de quem teve de ultrapassar vários adversários para chegar ao topo. À terceira jornada, a águia estava no sétimo lugar, apenas com quatro pontos e a cinco de distância do então líder F. C. Porto. Ainda eram os estilhaços de uma época anterior amarga com os três títulos a fugirem dos dedos numa das retas finais mais apocalípticas da história do clube.
No início da prova, o Benfica era um conjunto instável e sofria golos incríveis, até Jorge Jesus construir uma equipa sem a vertigem ofensiva do passado e recheada de pragmatismo na defesa. Esta é a quinta época do treinador na Luz e os números mostram como o técnico mudou o registo: 56 golos marcados e 15 sofridos em 28 jornadas. Em cinco anos, nunca o Benfica marcou tão poucos golos na Liga, mas também nunca sofreu tão poucos. Passou a ser mais cerebral, menos asfixiante e muito mais seguro.
No meio, esteve a virtude do Benfica, quando venceu o F. C. Porto (2-0) na última jornada da primeira volta e aproveitou o nulo do Sporting com o Estoril para assaltar a liderança. A partir daí, nunca mais largou o topo e Jorge Jesus voltou a ressuscitar o Benfica com o título de campeão, quatro anos depois do último festejo.
O treinador também recuperou o crédito junto dos adeptos e voltou a ser tão feliz como eles.
