
Prestianni envolvido na polémica
AFP
De acordo com o regulamento disciplinar, um jogador arrisca uma suspensão de pelo menos dez jogos. Vinícius Júnior alega insulto racista de Prestianni. Mas para que seja aplicada qualquer pena, o organismo tem de provar a existência de ofensa.
Por norma, a UEFA tem a mão pesada em relação a situações envolvendo atos de racismo, sejam praticadas por jogadores ou adeptos, desde que sejam situações consideradas provadas pelo organismo. O artigo 14.1 do regulamento disciplinar considera que "qualquer jogador, elemento da equipa técnica, árbitro ou qualquer pessoa diretamente ligada à equipa ou à UEFA está sujeito a uma suspensão automática de pelo menos 10 jogos".
Aliás, foi essa pena que o organismo que tutela o futebol europeu aplicou a Ondrej Kudela, jogador do Slavia de Praga, que em 2021 proferiu insultos racistas a Glen Camara, médio do Glasgow Rangers, num jogo da Liga Europa. A pena fez com que o internacional checo não pudesse representar a seleção no Euro 2020.
A UEFA define racismo como "insultar a dignidade humana de uma pessoa ou grupo de pessoas por qualquer motivo, incluindo cor da pele, raça, religião ou origem étnica", e abrange jogadores, dirigentes e equipas, assim como os próprios adeptos.
No que diz respeito à situação protagonizada entre Prestianni e Vinícius Júnior, a UEFA precisa de ter provas concretas que o avançado do Benfica proferiu insultos racistas ao jogador do Real Madrid para que lhe possa aplicar uma sanção prevista no regulamento disciplinar. Neste caso, uma suspensão de pelo menos dez jogos.
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Para já o organismo que tutela o futebol europeu emitiu um comunicado e aguarda os relatórios oficiais do jogo para tomar qualquer medida, que numa primeira instância passará sempre pela abertura de um inquérito. Entretanto, avançado argentino já reagiu nas redes sociais e negou qualquer insulto racista: "Nunca fui racista com ninguém e lamento as ameaças que recebi de jogadores do Real Madrid".
Por sua vez, Vinícius Júnior aponta o dedo ao argentino, depois de ter dito ao árbitro que foi insultado: "Racistas são, acima de tudo, covardes. Precisam colocar a camisa na boca para demonstrar como são fracos. Mas, eles têm, ao lado, proteção de outros que, teoricamente, têm a obrigação de punir. Nada do que aconteceu hoje é novidade na minha vida e da minha família".
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No que diz respeito ao comportamento racista dos adeptos a UEFA contempla o artigo 14.2, considerando que "se os adeptos de um clube ou seleção nacional que se envolverem em comportamento racista, a punição mínima que a UEFA pode impor é o encerramento parcial do estádio.
Por outro lado, o artigo 14.3 considera que "se os adeptos desse clube/seleção nacional cometerem uma segunda infração em um jogo diferente diferente, a UEFA poderá impor uma multa de 50 mil euros e fazer com que esse clube/seleção nacional jogue um jogo à porta fechada".
De acordo com o artigo 14.3 - (b) - "se uma nova infração for cometida dentro de três anos, a UEFA poderá impor novas sanções, como o encerramento de estádios, o aumento do número de jogos disputados à porta fechada e até mesmo a desqualificação de equipas da competição".
