Villas-Boas critica "horas a esmiuçar imagens à procura de penáltis inexistentes contra o F. C. Porto"

André Villas-Boas não poupa nos elogios ao treinador do F. C. Porto, Francesco Farioli
Foto: AFP
Presidente do F. C. Porto, André Villas-Boas, diz que o caminho que os dragões têm pela frente continua "exigente" e fala em "narrativa carbonizada" de alguns comentadores.
No editorial que assina mensalmente na revista "Dragões", o presidente portista mostra-se satisfeito com a trajetória da equipa de Francesco Farioli, mas lembra que "nada está ganho", apontando aos obstáculos que o F. C. Porto terá de ultrapassar no resto da temporada.
"O caminho que temos pela frente continua exigente. Continuaremos a disputar tudo, contra tudo e contra todos: contra adversários fortes e em contextos difíceis, contra a narrativa carbonizada e plasmada de alguns 'comentadores', que de isentos têm pouco, em meios de comunicação social que anseiam pela nossa queda, chegando até a prevaricar com a honra dos atletas das equipas que defrontam o F. C. Porto e que dedicam horas a esmiuçar, em 'loop' e com lupa, imagens à procura de penáltis inexistentes contra o F. C. Porto, sustentados por ex-membros de comissões não permanentes de arbitragem da FPF que continuam a intoxicar o trabalho dos árbitros a cada fim de semana", escreveu André Villas-Boas.
"Por tudo isto, fevereiro será um mês determinante na nossa caminhada, onde a união em torno da equipa e dos seus objetivos é fundamental", acrescenta, recordando os bons resultados das últimas semanas.
"Janeiro trouxe-nos aquilo que define os grandes grupos: capacidade de sofrer, de resistir, de responder sob pressão e de vencer em contextos difíceis. As vitórias fora frente ao Santa Clara e ao Vitória de Guimarães, em dois campos exigentes, foram provas claras de maturidade e de carácter. Não foram jogos 'fáceis', nem poderiam ser. Foram jogos de determinação, de coragem e de espírito de luta, esse ADN que os outros invejam e que faz com que o F. C. Porto nunca se esconda, nunca se renda e nunca abdique", referiu.
"A isto somámos um triunfo frente ao Benfica na Taça, que nos coloca nas meias-finais e nos abre a porta para uma eliminatória decisiva com o Sporting ou o AVS. Na Liga Europa, o percurso está a ser marcado por uma enorme demonstração da nosso ADN. Plzen foi o espelho desse caminho, um jogo de uma dureza que só um querer imenso conseguiria vergar. Com o Rangers, o que começou com uma adversidade, transformou-se num jogo em que toda a equipa mostrou que tem argumentos para passar à próxima fase com a sua ambição reforçada", prosseguiu o líder portista, abordando ainda o tema da renovação de contrato do treinador.
"Representa muito mais do que a continuidade de um treinador. Representa a continuidade de um método. De uma forma de estar. De uma cultura de trabalho que encaixa no que somos. Desde o primeiro dia, Farioli compreendeu que o F. C. Porto não vive de atalhos nem de facilidades: vive de rigor, de trabalho, de ética, de simplicidade e de uma obsessão saudável pelo detalhe. Compreendeu também que, aqui, não há vitórias 'a prazo' - há responsabilidade diária", sublinhou o dirigente.
"A forma como tem desenvolvido a equipa, como tem valorizado os jogadores, como trabalha em estrutura, como se relaciona com a sua direção, e como coloca sempre o clube acima de qualquer ego, confirma-nos aquilo que vemos no Olival: competência, coerência e ambição. Os resultados, que nunca são obra de um homem só, mas sim de um coletivo que trabalha bem, são um reflexo dessa seriedade", continuou.
"O melhor arranque de sempre no campeonato, os resultados históricos alcançados, a entrada direta nos oitavos de final da Liga Europa, a maturidade competitiva com que a equipa tem respondido às exigências, tudo isso tem assinatura: do grupo, do treino, do método, da liderança, do compromisso. E é isso que queremos preservar e potenciar. Renovar é acreditar. Renovar é dar estabilidade a um projeto que pretende devolver o F. C. Porto, de forma sustentada, ao lugar natural onde sempre esteve: o lugar dos títulos", reforçou Villas-Boas, sem esquecer o mercado de janeiro e as três contratações já efetuadas pela SAD portista.
"É por termos plena consciência dessa exigência que atuámos no mercado, reforçando a equipa de acordo com as necessidades identificadas pelo treinador e pela estrutura. As chegadas de Thiago Silva, de Oskar Pietuszewski e de Terem Moffi respondem a uma lógica clara: qualidade, perfil, carácter e utilidade para o projeto e as nossas ambições. E assim seguindo uma estratégia pensada, continuamos atentos ao que faz sentido, sempre com a mesma matriz: responsabilidade financeira e ambição desportiva", concluiu.

