
William Gomes reforçou os azuis e brancos em janeiro de 2025
Foto: Miguel Riopa/AFP
William Gomes, extremo do F. C. Porto, concedeu uma entrevista à revista "Dragões" na qual na qual recordou o caminho trilhado desde que chegou aos azuis e brancos.
William Gomes chegou há um ano ao F. C. Porto, apanhou uma fase complicada, com poucos minutos, mas no virar da página encontrou espaço e tem mostrado ser fundamental nas opções de Francesco Farioli. Ao todo, são já 40 jogos, nove golos e uma assistência.
Depois de um começo tímido, o pós-Mundial e a chega de Farioli acabou por ser um quebrar de ciclo. O extremo contou como tudo se preparou nos bastidores. "No início da época, foi divulgado um vídeo do Farioli a falar das 'dores' que ele teve no Ajax, pois acabou por perder o título. Nós, por outro lado, não fizemos uma boa temporada. Deu para perceber que estávamos todos juntos, em sintonia, e que podíamos fazer uma grande temporada. Na pré-época percebeu-se logo a intensidade em cada treino", contou.
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A verdade é que não demorou muito para assumir um papel importante na equipa e deixar rendido o universo azul e branco. Foi com o golo frente ao Casa Pia e logo na jornada a seguir pernte o Sporting, em Alvalade, onde voltou a marcar um golaço, vindo do banco, para resolver o jogo.
"No decorrer vamos analisando as fragilidades do adversário e aquilo que podemos fazer de diferente. Contra o Casa Pia, sabia que se passasse ali no chão poderia ter mais possibilidades de fazer golo. Contra o Sporting, também sabia. No aquecimento, tentei essa chapada e, no decorrer do jogo, tentei umas três vezes, só que errei. Mas não perdi a confiança, porque sabia que, se acertasse, havia uma grande chance de ser golo. Então, eu consegui acertar", explicou, num jogo que considerou ter sido "uma das viradas de mentalidade".
Para além do golo no campeonato frente aos leões, outro que fica na retina foi aquele marcado frente ao Salzburgo, na Liga Europa, mesmo ao cair do pano para resgatar um triunfo suado. "Estávamos preparados para um jogo difícil em Salzburgo, para um jogo disputado, mas eu estava confiante depois dos golos contra o Casa Pia e contra o Sporting. Algumas pessoas disseram que eu cheguei cru, mas eu cheguei confiante, chutei e deu certo".
O extremo brasileiro, de 19 anos, falou ainda do bom espírito de grupo. "É importante que os jogadores tenham as suas ambições, os seus objetivos pessoais, mas mais importante é ter um coletivo, toda a gente conectada. Eu quero jogar, o Pepê quer jogar, o Borja quer jogar, o Oskar quer jogar, mas cada um tem o seu momento, e nós sabemos respeitar o momento de cada um, obviamente. É importante haver essa competitividade, porque um ajuda o outro a melhorar, um faz um golo, o outro quer fazer dois golos. O coletivo é que importa", disse, antes de falar sobre os outros extremos do plantel.
"Eu, o Pepê e o Borja somos semelhantes em alguns aspetos. O Pepê é o jogador tecnicamente mais refinado da nossa equipa, tem uma qualidade impressionante. O Borja... eu revejo-me muito no Borja, que é lutador, gosta de finalizar, mas também tem uma técnica refinada. Sim, é assim que me vejo", considerou.
As palavras de Thiago Silva e o lema por Jorge Costa
Já a chegada de Thiago Silva, num grupo bem jovem, trouxe coisas positivas. "Nunca falámos sobre isso, mas o Thiago tem-me ajudado bastante. Na hora do golo do Martim ao Gil Vicente, eu fui comemorar com ele e o Thiago aproximou-se de mim e disse: "Vai lá fazer o teu agora, tens 20 minutos para fazer o teu". Eu fiz o meu e ele veio e deu-me os parabéns. Está a ajudar-me muito. E o Pepê também".
William Gomes confessou, ainda, não saber que a exigência era tão grande, revelando, contudo, ter noção da "grandeza do F.C. Porto". "Ir ao museu ajudou-nos a ter um conhecimento mais profundo do que é o F. C. Porto e o nível de exigência do clube", afiançou.
E ao falar de museu torna-se inevitável não recordar a partida de Jorge Costa, em agosto, uma figura emblemática do universo azul e branco e que ocupava a função de Diretor do Futebol Profissional, mantendo contacto diário com todos os elementos da equipa principal.
"Foi o pior momento para todos os que carregam essa cicatriz. Nós temos um lema: vamos jogar todos os jogos por ele, que foi um dos grandes ídolos do F. C. Porto. Mais do que qualquer um, acreditava nesta equipa e sabia que temos grandes hipóteses de sermos campeões", rematou.

