Villas-Boas responde a Varandas: "Uma das habituais tiradas, plenas de hipocrisia e memória seletiva"

André Villas-Boas criticou Fredericos Varandas e Morten Hjulmand
Foto: Carlos Carneiro
O presidente do F. C. Porto, André Villas-Boas, respondeu a Frederico Varandas que, na terça-feira após a vitória em Guimarães, afirmou que existe uma "histeria coletiva" e que a "arbitragem é livre". No editorial que assina na revista Dragões, o líder dos azuis e brancos acusou o homólogo sportinguista de ter "memória seletiva" e estendeu a crítica a Morten Hjulmand devido ao penálti que marcou o jogo com o Santa Clara, da Taça de Portugal.
"O presidente do Sporting teve mais uma das suas habituais tiradas, plenas de hipocrisia e de memória seletiva, sobre a história do futebol português. Assumindo que foi beneficiado nos Açores, por duas vezes, decidiu discretamente ignorar todos os outros episódios em que, por mero infortúnio, o seu clube beneficiou de erros que, na sua opinião, podem acontecer em qualquer campo. Diz ele que no Sporting são diferentes e que, quando beneficiados, saem a terreiro e admitem-no; tudo o resto são casos normais do jogo", começa por escrever Villas-Boas.
"Na época passada, frente ao Estoril, Pepê recebeu a bola nas costas da defesa e tinha caminho livre para marcar, mas viu Pedro Amaral lesionar-se na coxa. Em vez de continuar a jogada, Pepê parou, levantou a bola e chamou a equipa médica, demonstrando preocupação com o adversário. Esse gesto deu a volta ao mundo e foi reconhecido pela Liga e pela FPF como o ato de fair play do ano", recorda o presidente portista, antes de tecer duras críticas à forma como o VAR lidou com lance que acabou por resultar em penálti a favor do Sporting, nos Açores, no jogo da Taça de Portugal.
"Os 12 minutos da falha do VAR e a decisão incompreensível tomada de seguida deveriam ser suficientes para uma revolução e uma auditoria profunda à tecnologia VAR e aos critérios de decisão arbitral adotados esta época, mas também deveriam ter sido suficientes para fazer refletir o capitão do Sporting e fazê-lo admitir que é feio cair na área e ganhar indevidamente um penálti ao toque de um dedo na cara. Ao fazê-lo seria efetivamente diferente, ao ignorá-lo acabou por ratificar o nível de hipocrisia em que vive o discurso do presidente do seu clube", acrescentou, referindo-se a Hjulmand, antes de estabelecer a diferença em relação aos dragões.
"É por isso que, no caso do F. C. Porto, construímos uma dimensão identitária que nos distingue dos demais ao sermos, também nós, durante décadas o 'Homem na Arena' do futebol português, o bicampeão europeu e bicampeão mundial que em território nacional enfrenta todos os dias os poderes instalados e a desvalorização permanente dos seus jogadores, dos seus técnicos e dos seus feitos", defendeu Villas-Boas.

