Mundial 2022

Noruega confronta FIFA com direitos humanos no Catar

Noruega confronta FIFA com direitos humanos no Catar

Lise Klaveness foi ao congresso anual da FIFA, em Doha, para criticar a decisão de entregar àquele país do Médio Oriente a organização do próximo Mundial. Dirigentes locais falam em evolução, mas houve quem não quisesse discutir o tema na reunião.

Não são propriamente novidade as acusações de desrespeito pelos direitos humanos que impelem sobre o Catar, país que acolhe o próximo Campeonato do Mundo de futebol, entre os meses de novembro e dezembro deste ano.

Desde que a FIFA anunciou a atribuição da organização do torneio ao país do Médio Oriente, em 2010, muitas foram as vozes que se levantaram contra a decisão, dentro e fora do fenómeno desportivo, mas poucas terão tido o impacto da presidente da Federação Norueguesa de futebol, Lise Klaveness, que aproveitou o congresso anual da FIFA para criticar uma decisão em que "os direitos humanos, a democracia e a igualdade não estiveram no onze titular".

Para a dirigente, eleita no mês passado para liderar a federação norueguesa, "não pode haver espaço para empregadores que não garantam a liberdade e a segurança dos trabalhadores do Campeonato do Mundo, nem para líderes que não permitem jogos de futebol feminino ou que não podem garantir legalmente a segurança e o respeito das pessoas LGBTQ+".

Segundo o jornal inglês "The Guardian", mais de 6 mil trabalhadores migrantes terão morrido na construção de infraestruturas relacionadas com o próximo Mundial. Na sua intervenção, a dirigente norueguesa pediu apoios para as famílias daqueles que faleceram, mas também para os operários que ficaram feridos durante as obras.

Antiga futebolista, internacional por 73 vezes pela seleção norueguesa, Klaveness disse mesmo que a Noruega chegou a ponderar "o boicote ao Mundial", possibilidade entretanto descartada, mas que não belisca a convicção nórdica de que "a FIFA deve ser um modelo a seguir" em todas as decisões que toma.

As duras críticas feitas pela presidente da federação norueguesa não ficaram, porém, sem resposta. Hassan Al Tawadi, secretário-geral do comité organizador do Mundial2022, referiu que desde que o Catar foi escolhido para receber a prova registou-se "uma grande transformação humana, económica e cultural" no país.

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"Fico desapontado com a presidente da federação norueguesa, que não nos visitou, nem tentou falar connosco antes deste congresso. Sempre estivemos abertos ao diálogo e aceitámos as críticas. Continuamos abertos a quem quiser entender o nosso contexto antes de nos julgar", acrescentou o dirigente.

O próprio presidente da FIFA, Gianni Infantino, referiu que "o trabalho tem sido exemplar", com José Ernesto Mejía, secretário-geral da federação das Honduras, a acrescentar que "a FIFA e o Governo do Catar fizeram de tudo para melhorar as condições dos trabalhadores". "Sendo importantes, este não é o local nem o momento para se discutirem estes temas. Estamos aqui para discutir futebol e não devemos perder esse foco", defendeu, ainda, o responsável hondurenho.

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