Economia

Com falência do BPN "a economia teria afundado de forma acentuada"

Com falência do BPN "a economia teria afundado de forma acentuada"

O ex-ministro Teixeira dos Santos disse, esta terça-feira, que a falência do BPN teria levado a economia a afundar no mínimo quatro por cento e reiterou que, mesmo conhecendo todos os factos, teria continuado a defender a nacionalização.

Em resposta às perguntas do deputado do Bloco de Esquerda João Semedo, Teixeira dos Santos disse que a falência do banco de Oliveira e Costa teria provocado profundos impactos na economia portuguesa. O responsável citou estudos internacionais segundo os quais a falência de um banco teria levado a economia a cair no mínimo quatro por cento, podendo mesmo chegar a 10%.

"Sem contar com toda perturbação de uma crise de natureza sistémica, a economia teria afundado de forma acentuada se tivéssemos uma crise bancária em cima das dificuldades que [a crise do] 'subprime' [crédito imobiliário de alto risco] trouxe à nossa economia", justificou Teixeira dos Santos.

O ex-ministro das Finanças está a ser, esta terça-feira, ouvido na comissão de inquérito parlamentar dedicada ao Banco Português de Negócios (BPN). O responsável teve um papel importante na decisão da nacionalização da instituição liderada por Oliveira e Costa, já que tutelava o Ministério das Finanças quando a operação foi consumada, em 2008.

Ainda perante os deputados, o responsável disse que, mesmo que em 2008 tivesse noção das reais imparidades do BPN e da duração prolongada da crise, teria continuado favorável à nacionalização do BPN devido ao impacto na economia do país.

O antigo ministro das Finanças de José Sócrates afirmou que, quando defendeu a nacionalização do BPN, ainda não eram conhecidas todas as circunstâncias que envolviam o banco: as imparidades do BPN estavam avaliadas em cerca de 700 milhões de euros quando "depois revelaram ser o triplo" e estava "longe de imaginar que quatro anos depois ainda estaríamos em crise".

Ainda assim, adiantou, que mesmo conhecendo os dados que o tempo viria a revelar, continuaria a considerar que essa decisão foi a mais acertada.

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"Se no momento da nacionalização soubesse de imparidades de cerca de 2000 milhões de euros e que a crise se prolongava, diria que sim [à nacionalização]", reiterou.

Segundo o responsável, os custos de deixar o banco ir à falência poderiam ter fortes impactos na economia portuguesa, acima dos que estão a ser suportados.

Apesar de continuar a defender a nacionalização, logo no início da comissão parlamentar, respondendo ao deputado do PCP Honório Novo, Teixeira dos Santos disse que a nacionalização do BPN não foi a primeira opção do Governo e que foram "procuradas outras soluções".

Segundo o antigo governante, inicialmente foi dada liquidez ao banco (tanto pela Caixa Geral de Depósitos como pelo Banco de Portugal) para dar folga à administração para poder sanear o BPN.

No entanto, afirmou, se essas soluções "resolveram momentaneamente o problema", o risco envolvido "tornava insustentável" continuar a financiar o banco.

Então, disse, foi estudada a hipótese de integração do BPN na CGD, pelo que o banco público apresentou uma proposta à administração de Miguel Cadilhe (então no BPN) que, em resposta, apresentou uma contraproposta. Teixeira dos Santos disse que essa contraproposta foi então considerada "inaceitável" pelo preço pedido de 1,16 euros por ação.

A nacionalização foi proposta pelo Governo à Assembleia da República, em novembro de 2008. Ainda no mesmo mês, a nacionalização foi aprovada pelos deputados e promulgada pelo Presidente da República, Cavaco Silva, a lei que nacionaliza o banco.

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