Estratégia

Governo aposta em Alcochete como aeroporto único em Lisboa

Governo aposta em Alcochete como aeroporto único em Lisboa

O Executivo já decidiu qual é a estratégia para alargar a capacidade aeroportuária da capital e diz dispensar aprovação política por parte do PSD. Alcochete é a grande aposta de longo prazo.

O despacho será publicado ainda esta quarta-feira. Segundo fonte do Ministério das Infraestruturas, a decisão consiste em três passos. O primeiro é fazer algumas obras no imediato no Humberto Delgado, no sentido de aumentar o conforto e fluidez com o intuito de reduzir os atrasos, que não se devem só ao SEF. A intervenção implicará a relocalização da torre de controlo.

Em segundo lugar, o Montijo já deverá ter aviões a aterrar em 2026. Serão necessários 12 a 18 meses para fazer uma Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) e mais três anos para obras. Neste caso, será preciso adaptar o projeto de execução a uma já existente Declaração de Impacto Ambiental (DIA). A tarefa será entregue ao LNEC, substituindo-se ao consórcio luso-espanhol composto pela Ineco e pela empresa portuguesa Coba - Consultores de Engenharia e Ambiente, facto que pode dar origem a um pedido de indemnização.

Em terceiro lugar, o Governo avança, também, com a colaboração técnica do LNEC com o cenário de Alcochete, infraestrutura que poderá estar pronta em 2035. Nessa altura, Humberto Delgado e Montijo deverão fechar em definitivo, ficando Lisboa com apenas um aeroporto de grande capacidade (pode ir até quatro pistas, tal como sucede atualmente em Barajas, Madrid). Ou seja, Alcochete é a grande aposta de longo prazo.

Os problemas surgidos em 2021 com as câmaras municipais da Moita e do Seixal quando o Executivo tentou avançar com a opção Montijo deverão ser ultrapassados no curto prazo com nova submissão do diploma que retira esse poder de um qualquer município bloquear o processo. O Governo dispensa igualmente a aprovação política por parte do PSD, maior partido da oposição.

Aliás, fonte da tutela deu conta do desagrado do Governo pelas recentes declarações de Luís Montenegro. O presidente eleito do PSD disse registar a "confissão de incompetência" do primeiro-ministro ao manifestar a esperança de ser o PSD "a dar uma solução" à localização do novo aeroporto e à alta velocidade ferroviária.

A concessionária Ana Aeroportos está, neste momento, em conversações com o Governo e a obrigação de construir Montijo e Alcochete será contemplada, não estando previsto qualquer alargamento da concessão para além de 2062.

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O problema começou a ser estudado há 50 anos. Portugal já discutiu 17 localizações possíveis para o novo aeroporto de Lisboa. No tempo de José Sócrates, estudou-se a opção Ota, depois surgiu Alcochete, entre vários outros cenários.

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