Estudo

Portugal é o segundo país com preços mais baixos de telecomunicações

Portugal é o segundo país com preços mais baixos de telecomunicações

O secretário-geral da Apritel, Pedro Mota Soares, afirmou que "pela primeira vez" o estudo sobre análise de preços das comunicações eletrónicas na Europa divulgada pela associação "compara o que é comparável" no setor.

Portugal é o segundo país com preços de comunicações eletrónicas mais baixos, depois da França, entre os dez países europeus analisados num estudo da Associação de Operadores de Comunicações Eletrónicas (Apritel), elaborado pela Deloitte e divulgado esta quarta-feira.

"Pela primeira vez um estudo compara o que é comparável", afirmou Pedro Mota Soares aos jornalistas, à margem da conferência de apresentação do estudo.

"Nesta nova fase da Apritel quisemos falar do tema dos preços das telecomunicações em Portugal", sublinhou Pedro Mota Soares, que assumiu recentemente o cargo de secretário-geral da associação.

O estudo, que considera a taxa de IVA e a atualização da paridade do poder de compra, refere que "os preços médios para os pacotes 3P (televisão, internet fixa e telefone) são 34% inferiores à média dos países da União Europeia analisados", ou seja, 38,60 euros face ao valor médio de 58,05 euros.

No que respeita aos pacotes 4P (televisão, internet fixa, telefone e telemóvel), os preços "são 20% mais baixos", ou seja, 59,94 euros em Portugal face ao valor médio de 75 euros, considerando a paridade do poder de compra.

"Sentimos que é nossa responsabilidade ajudar a esclarecer o mercado e os consumidores", afirmou o secretário-geral da Apritel, salientando que "em Portugal a maioria das famílias, mais de 80% adquire pacotes".

A análise tem em conta as ofertas 3P e 4P, numa base comparável com outros 10 países europeus: Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Estónia, França, Hungria, Irlanda, Países Baixos e Reino Unido.

O estudo utilizou a metodologia da oferta predominante para comparação de preços utilizado por base de produtos comparáveis de outras operadoras de comunicações eletrónicas. Ou seja, procurou comparar serviços equivalentes, uma metodologia diferente da utilizada por outros estudos sobre os preços nas telecomunicações.

Por exemplo, em junho, dados do gabinete de estatísticas da UE, o Eurostat, apontavam que os preços das telecomunicações em Portugal, incluindo equipamentos e serviços telefónicos e postais, tinham sido no ano passado superiores em 19,7% à média da União Europeia (UE), sendo o nono Estado-membro com preços mais elevados.

De acordo com o responsável da Deloitte, Francisco Cal, trata-se de "uma metodologia diferente". Este estudo "compara maçãs com maçãs e não peras com maçãs", resumiu Pedro Mota Soares.

O ponto de partida da análise de preços das comunicações eletrónicas foi saber como é que os produtos comparam com o resto dos países da União Europeia.

"Portugal compara bem do ponto de vista dos serviços, era importante saber do ponto de vista do consumidor como é que os preços" comparavam, disse o secretário-geral da Apritel.

Sublinhando que as telecomunicações em Portugal são um setor "muito competitivo", referiu que o "investimento anual" é de cerca de 1000 milhões de euros, reinvestindo cerca de 23% dos seus proveitos, "muito acima da média europeia".

Pedro Mota Soares reconheceu que as comunicações têm "enormes desafios pela frente", nomeadamente com o 5G, mas escusou-se a comentar outros temas do setor, preferindo centrar-se no estudo.

Questionado sobre se o facto de os preços em Portugal serem baixos não poderá dar margem para serem aumentados, o secretário-geral da Apritel remeteu essa questão para os operadores.

"Num mercado que é muito concorrencial, muitas vezes o fator do preço é relevante" e isso talvez possa ser a justificação de Portugal ter os preços mais baixos da Europa, considerou.

Sobre se este estudo pode servir de referência o setor, Pedro Mota Soares foi perentório: "Espero que sim, a tendência mundial dos consumidores é consumirem pacotes".

Mas uma coisa é certa, trata-se de "uma ferramenta" que permite "comparar a realidade", sublinhou.

Sobre o seu novo desafio na Apritel, Pedro Mota Soares considerou que as telecomunicações são "um setor muito desafiante e muito apaixonante", apontando que a transição digital "acontece muito em cima" desta área.

"Neste sentido, é o setor que vai colocar o futuro na palma da nossa mão", prosseguiu, adiantando pretender dar o seu contributo para "pôr o setor a falar com todos os parceiros".