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Portugueses da nova economia das criptomoedas

Portugueses da nova economia das criptomoedas

País está a afirmar-se no mundo das moedas digitais e está a atrair cada vez mais empresas e profissionais, nacionais e estrangeiros, para este setor.

Cinco portugueses contam como vivem o seu dia a dia de trabalho no mundo digital da Internet do futuro, baseada em tecnologia blockchain (registo digital distribuído) ligada às criptomoedas. Têm cerca de 30 anos, férias ilimitadas e trabalham sobretudo por via remota. Alguns alternam o local de residência entre duas cidades de países diferentes. São profissionais que encontraram nesta indústria o seu trabalho ideal, num país, Portugal, que a acolhe de braços abertos. Trabalham na ConsenSys, uma empresa ligada à plataforma Ethereum, cuja moeda digital, o ether, é a segunda criptomoeda mais valiosa do mundo, a seguir à bitcoin.

Pedro Figueiredo: "Portugal acolhedor"

Pedro Figueiredo tem 32 anos, nasceu e reside no Porto e formou-se em Engenharia Mecânica pela Universidade Nova de Lisboa. Descobriu as criptomoedas - e a plataforma Ethereum - em 2017. "Foi também nesse ano que ouvi falar da ConsenSys, e que decidi que um dia iria trabalhar aqui. Em termos de criação de uma comunidade de profissionais ligados a criptomoedas, "Portugal tem tido uma postura inteligente e acolhedora, e está a dar frutos", considera este profissional, sublinhando que "temos [Portugal] atraído talento estrangeiro e muitas empresas grandes começam a fixar-se em Portugal, a reconhecer as nossas mais-valias".

Ricardo Silva: "É difícil explicar o que fazemos"

Tem 34 anos e vive em Braga, mas é natural da Venezuela. Formado em Engenharia Informática pela Universidade do Minho, entrou profissionalmente no mundo das criptomoedas em 2017. Tal como os colegas, tem férias ilimitadas, "sendo que às vezes as pessoas podem ter tendência a tirar menos". "Eu, para evitar situações de burnout (esgotamento), tento sempre manter-me numa média de 25 dias por ano", afirma. "No entanto, este ano foi maior por causa da introdução dos dias zero productivity (zero produtividade), em que podemos não trabalhar. Hoje [quinta-feira], dia anterior à véspera de Natal, é um desses dias", explica. E é fácil explicar a amigos e familiares o que faz no seu trabalho? "É sempre difícil explicar. A primeira coisa é evitar falar dos preços das moedas, pois leva a conversa para um lado que não tem fim", reconhece.

Tanya Simmonds-Rosa: "Entre Lagos e Nova Iorque"

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É portuguesa, com 34 anos, mas nasceu e estudou em Inglaterra (Política e Filosofia na Universidade de Sussex) e reside entre Lagos e Nova Iorque. O seu primeiro trabalho na indústria baseada em blockchain foi na empresa ConsenSys. "Eu nunca tinha trabalhado na área das tecnologias, mas tinha competências transversais", explica. "Como o meu trabalho é desenvolvido remotamente, viajo com frequência e atualmente divido o meu tempo entre México, Nova Iorque e Lagos, Portugal", nota. A empresa permite flexibilidade no horário, como ter uma folga a meio da semana ou tirar uma manhã. "Desde que se cumpra com o trabalho proposto e prazos estabelecidos, podemos fazer o nosso próprio horário de trabalho".

André Pimenta: "Muitas empresas são 100% remote"

Formou-se em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores pelo Instituto Superior Técnico e aos 30 anos lidera uma área da MetaMask, uma aplicação para negociar e gerir criptomoedas. André Pimenta sublinha que há alguns fatores que diferenciam as empresas de blockchain ao nível dos salários pagos: "muitas destas empresas não só trabalham em tecnologias descentralizadas, mas também a própria mentalidade e maneira de gerir o negócio são mais descentralizadas, ou seja, o poder e valor criado pela empresa são, em grande parte, transferidos para os trabalhadores". Para os portugueses, "acresce o facto que muitas destas empresas são 100% remote e globais" e "muitas baseiam os seus salários nos valores dos Estados Unidos, o que faz com que o salário acabe por ser mais atrativo".

Gonçalo Sá: "Injeção de talento estrangeiro"

Natural do Porto, Gonçalo Sá ainda não chegou aos 30 e é responsável pela cibersegurança neste grupo de relevo no ecossistema ligado a criptomoedas. Licenciado em Engenharia Aeroespacial pelo Instituto Superior Técnico, aos 29 anos vive entre a Invicta e Barcelona. Diz que em Portugal, no setor de blockchain e criptomoedas, "temos uma comunidade que está a crescer a olhos vistos, cada vez mais vibrante". E sublinha que "a injeção de talento estrangeiro atraído pelas condições legais favoráveis às criptomoedas também foi uma lufada de ar fresco muito bem-vinda". "Agora, não só temos portugueses brilhantes a contribuir para o panorama mundial da blockchain, como figuras proeminentes deste mundo a mudar-se para cá e a impulsionar ainda mais os nossos criadores nacionais".

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