Picowines lança dois novos vinhos, branco e licoroso, que exprimem o terroir vulcânico

As vinhas do Pico ficam muito próximas do mar.
Foto: DR
O ano da Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico - Picowines começou com o lançamento de dois novos vinhos: o Ilha do Pico Licoroso 1998, de edição limitada, e Arcos Vulcânicos 2021. "Duas leituras do mesmo território separadas pelo tempo, mas unidas pela mesma origem", lê-se em comunicado.
Tanto um como outro, diz a Picowines em comunicado, "são a expressão de uma ilha onde a viticultura se escreve em pedra, sal e silêncio", e têm rótulos desenhados por Rita Rivotti. Porém, mais do que novidades, "representam uma continuidade de pensamento entre memória e contemporaneidade, tradição e técnica, que têm vindo a definir o percurso da adega vitivinícola da Ilha do Pico". Aquele que melhor representa essa história é o Ilha do Pico Licoroso 1998, um vinho com 27 anos de estágio em cascos de carvalho e com grande "capacidade de resistência ao tempo", lê-se.
Este vinho foi produzido a partir da casta Verdelho, de vinhas velhas, plantadas em currais - muros erguidos à mão, pelos homens, há mais de cinco séculos - na Criação Velha, a poucos metros do mar. Segundo o produtor, as uvas estavam "em estado avançado de maturação e muito concentradas". O estágio em cascos velhos de carvalho "concentrou a expressão" do néctar. Visualmente, ele apresenta uma cor "topázio luminosa" e no aroma notas de "laranja cristalizada, citrinos, frutos secos, toffee e iodo". O perfil tem equilíbrio entre acidez e açúcar.

"É importante percebermos o quão Açores é este vinho", afirmou Bernardo Cabral, enólogo consultor da Picowines, numa apresentação à Imprensa, em Lisboa, aludindo às condições onde as vinhas subsistem e ao caráter do vinho. Os vinhos licorosos do Pico têm um histórico que já data desde o século XVIII e tornaram-se "uma das principais expressões da identidade açoriana e um dos grandes embaixadores da ilha nos mercados internacionais". Neste caso, o Ilha do Pico Licoroso 1998 foi feito num lote de 470 garrafas, com PVP unitário de 750 euros.
Já o Arcos Vulcânicos 2021 resultou de uma colheita de pouca produção, num "ano temperado que conferiu profundidade às uvas", e foi produzido também com Verdelho, cujas vinhas, na zona dos Arcos, em Santa Luzia, crescem diretamente por cima das rugas no lajido de pedra junto ao mar. De acordo com o produtor, fermentou 100% em barricas de 500 litros e estagiou dez meses sobre borras finas. No copo, mostra-se de cor "amarelo-esverdeada", enquanto no aroma "a mineralidade é imediata", com notas de algas e citrinos. O final salino alude ao mar.

Esta produção foi engarrafada em 1.200 garrafas e tem um PVP de 55 euros/garrafa. Para Losménio Goulart, presidente da Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico - Picowines, os dois lançamentos "representam um compromisso claro com o presente e o futuro da viticultura da ilha". "São vinhos que falam por si e que carregam a essência e a singularidade da Ilha do Pico", lê-se, citado em comunicado. Naquela ilha açoriana, as áreas de produção encontram-se sobretudo nos concelhos de Madalena e São Roque, a altitudes próximas dos 100 metros.
Esta paisagem vitícola foi classificada Património Mundial da Humanidade, pela UNESCO, em 2004, um reconhecimento reforçado em 2014 com a classificação como Paisagem Protegida de Interesse Regional da Cultura da Vinha da Ilha do Pico. Os chamados currais de pedra, muros construídos há cerca de 500 anos, protegem as vinhas do vento e do sal e criaram um microclima mais quente para as plantas, que se desenvolveram plantadas nas fissuras da rocha-mãe em solos vulcânicos, entre 50 a 300 metros do oceano, sempre expostas à maresia.

