
Vacinas são uma estratégia de saúde pública
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JNTAG - Deve a origem do nome à vaca e a primeira vacina nasceu há 230 anos. Desde aí, as vacinas são consideradas uma das mais bem sucedidas estratégias de saúde pública, evitando milhões de mortes por ano. Por cá, não são obrigatórias, mas multiplicam-se as razões para serem recomendadas e tomadas. Vamos descobrir porquê.
Para que servem?
Têm por objetivo oferecer melhor proteção face a doenças perigosas da pessoa que as toma, mas também por uma questão de saúde pública, fazendo com que a comunidade esteja mais protegida, com cada qual a cumprir a sua parte. Algumas vacinas são tomadas de uma vez só ou em doses, outras são inoculadas ao mesmo tempo e ainda outras que devem ser reforçadas à medida que a idade avança. Importa referir que existem casos específicos e que, por exemplo, devem ser tomadas antes de se fazer uma viagem para um destino considerado de risco sanitário ou tropical, devendo a pessoa pedir uma consulta do viajante para garantir imunização, de preferência quatro a oito semanas antes de embarcar.
Consideradas altamente seguras, mas constantemente sujeitas a avaliação científica, as vacinas procuram 'ensinar' o sistema imunitário a criar mecanismos de proteção para reagir a determinados vírus ou bactérias. Caso a pessoa vacinada entre em contacto com eles, o corpo vai detetar e reagir automaticamente, evitando que fique doente, com complicações graves, ou que transmita a patologia a outros indivíduos.
O que acontece se não nos vacinarmos?
Para lá do risco de a pessoa não vacinada poder contrair doenças perigosas, com sequelas severas e, eventualmente, mortais, se muitos cidadãos não o fizerem podem comprometer a saúde pública e favorecer a propagação de uma determinada patologia na comunidade. Se uma população estiver altamente vacinada, um vírus ou bactéria em causa terá dificuldade em disseminar-se, havendo depois menos perdas humanas e menos custos em tratamentos e hospitalizações devido a doenças evitáveis.
As vacinas são obrigatórias?
Em Portugal, são consideradas um direito básico, não são obrigatórias, mas são inequivocamente recomendadas pela Direção-Geral da Saúde (DGS), ao abrigo do chamado Plano Nacional de Vacinação. Este, criado originalmente a 4 de outubro de 1965 para combater a mortalidade infantil, tem permitido que crianças e adultos sejam imunizados de forma gratuita e universal, consoante as vacinas e as idades pré-estabelecidas. Apesar de não ser obrigatório, as imunizações contra a difteria e o tétano podem, segundo informa o Portal do Governo, ser exigidas para fazer a matrícula ou realizar determinados exames em estabelecimentos de ensino.
Quais são as vacinas que fazem parte do nosso Plano Nacional?
O Plano Nacional é revisto com frequência e o que está em vigor, segundo o site da DGS, data de 2020. Nele está estipulado que, aos dois meses de vida, seja tomada a primeira dose contra a Hepatite B. Aos dois meses, são administradas as primeiras doses contra a difteria, tétano e tosse convulsa (DTPa), contra a doença invasiva por Haemophilus influenzae tipo b (Hib), contra poliomielite (VIP) e contra a meningite B. É ainda dada a segunda dose contra a Hepatite B. Dois meses depois, chegam os reforços das vacinas combinadas DTPa, Hib e meningite B. Com meio ano de vida, o bebé toma a terceira dose da DTPa, Hib, VIP e HB.
No primeiro ano de vida, há terceira dose de minite B, a vacina da meningite C e a primeira dose contra o sarampo, parotidite epidémica e rubéola (VASPR). Aos quatro e aos cinco anos há reforços de doses de algumas já previamente atribuidas.
Aos dez anos, as crianças são imunizadas, por duas vezes, contra infeções pelo vírus do Papiloma humano de 9 genótipos (HPV9) e dá-se o primeiro reforço contra o tétano e difteria, que voltam a ter lugar aos 25, 45 e 65 anos, e uma a cada década após aquela idade. Idosos, grupos profissionais ou segmentos de população com riscos acrescidos têm também tomas específicas para algumas doenças - como é o caso da tuberculose, por exemplo - e que estão devidamente designadas.
Todos os anos, por exemplo, é lançada a campanha sazonal gratuita das vacinas contra a gripe e Covid-19. O objetivo desta inoculação nos mais velhos passa por reforçar a proteção face àqueles vírus e reduzir o risco de doença grave, hospitalização e morte por infeção.
Como é na Europa?
Cada país define o seu próprio plano de vacinação, consoante as necessidades, caractrísticas da população e as doenças mais identificadas. Na Europa, a maioria dos territórios aplica um método voluntário, recomendado e não obrigatório, como é o caso português. Contudo, existem países, como por exemplo França ou Itália, em que a vacinação de crianças contra algumas doenças é mesmo para ser cumprida.
Como nasceram as vacinas?
A primeira vacina nasceu há 230 anos, a 14 de maio de 1796, criada por um médico rural inglês. Edward Jenner queria combater a varíola, a doença infeciosa e contagiosa que era, à data, a maior ameaça à humanidade. O investigador inoculou, numa criança de oito anos, o vírus da varíola bovina - uma vez que as vacas infetadas tinham doença semelhante, mas não a versão humana do vírus - e teve bons resultados. Este avanço do final do século XVIII - que deve o seu nome vacina por ter tido origem na vaca - foi o primeiro passo rumo a uma campanha massiva de vacinação e que levou à erradicação global da varíola, quase dois séculos depois, em 1980. O caminho para a prevenção estava encontrado e a ciência tem continuado a procurar soluções para novas doenças.
Existem alguns mitos em torno da inoculação e um deles, que tem vindo a ser permanentemente desmentido, correlaciona vacinas e autismo. A polémica foi lançada em 1998 depois de um artigo publicado da prestigiada revista científica "The Lancet", da autoria do médico britânico Andrew Wakefield ter avançado a possibilidade de a imunização contra o sarampo, papeira e rubéola (VASPR) poder causar alterações neurológicas, eventualmente autismo, em crianças. Mais tarde, o artigo científico foi contestado, a revista desmentiu as conclusões, o médico perdeu a licença e, em novembro de 2002, um estudo dinamarquês garantiu não haver correlação entre vacinas e autismo, tendo por base a análise de dados de mais de meio milhão de crianças.

