
Kenny, de 28 anos, está em julgamento
Foto: Marisa Rodrigues
A alteração da qualificação jurídica de vários crimes de que é acusado José Mascarenhas, conhecido como o "serial killer" do Algarve, levou ao adiamento da leitura do acórdão, marcada para esta sexta-feira no Tribunal de Faro.
O homem, de 28 anos, está a ser julgado pela morte de Josielly Fontes, uma mulher brasileira, que se dedicava à prostituição. A vítima, de 25 anos, desapareceu em dezembro de 2022 e foi encontrada sem vida cerca de um mês depois morta numa ravina junto ao IC1, no Alentejo. O corpo estava parcialmente incendiado.
Durante a sessão desta sexta-feira, a juíza que preside ao Tribunal de Juri, explicou que as alterações dizem respeito sobretudo aos crimes de burla informática e que passaram a crimes de furto e abuso de cartão bancário, uma vez que o arguido é suspeito de ter utilizado os cartões multibanco da vítima, já depois de morta, para fazer pagamentos e levantamentos de dinheiro. Também o crime de homicídio qualificado sofreu uma alteração não substancial, que não reduz a moldura penal, entre os 12 e os 25 anos, a que está sujeito.
A defesa pediu um prazo para analisar as alterações e o tribunal acedeu, marcando nova sessão para dia 10 dezembro.
Kenny está acusado de oito crimes, entre os quais, homicídio qualificado, sequestro e roubo. Para além da morte de Josielly, terá, ainda, de responder em tribunal pelo homicídio de outra mulher, Sandra Antunes, motorista TVDE, encontrada morta dentro de uma mala, em Almancil, no concelho de Loulé. Neste processo, Kenny foi, há cerca de quatro meses, acusado pelo Ministério Público (MP) de homicídio qualificado, roubo, sequestro, coação e profanação de cadáver, mas o julgamento ainda não tem data marcada.
Mas a primeira vítima do já chamado "serial killer do Algarve" terá sido Tatiana Mestre, de 29 anos, em Quarteira, em 2018. Encontrada morta dentro de um carro, com as mãos amarradas e uma camisola à volta da cabeça, foi asfixiada e a viatura parcialmente destruída por um incêndio. Kenny chegou a ser condenado a uma pena de 12 anos e um mês, mas recorreu para o Tribunal da Relação de Évora e foi absolvido. Os juízes entenderam que a decisão da primeira instância, do Tribunal de Faro, foi apenas baseada em vestígios de ADN e não em provas concretas.
Kenny está atualmente a cumprir pena por tráfico de droga.
