Peso da Régua

Comunidade cigana rejeita responsabilidade pelo esfaqueamento de GNR

Comunidade cigana rejeita responsabilidade pelo esfaqueamento de GNR

Moradores do Bairro de Alagoas, no Peso da Régua, acusam guardas de agredir adolescentes. Líder associativo pede estratégias de inclusão para derrubar "muros" entre a comunidade cigana e a restante população.

A comunidade cigana residente no Bairro de Alagoas, no Peso da Régua, nega que tenham sido os jovens moradores a provocar os militares da GNR que, na manhã de terça-feira, estiveram envolvidos em confrontos. Almerindo Lima, dinamizador comunitário e líder de associações de promoção da cultura cigana, acusa, com base em relatos dos moradores, os guardas de terem "espancado" os três adolescentes.

Recorde-se que, tal como o JN noticiou, um militar da GNR teve de ser submetido a uma intervenção cirúrgica, depois de, junto ao local também conhecido por Bairro Verde, ter sido esfaqueado numa mão por um rapaz, de 13 anos.

Segundo os residentes do Bairro de Alagoas, os três rapazes, de 13, 14 e 17 anos, trocaram insultos com cinco militares da GNR, situação que levou um dos guardas a dirigir-se ao grupo e a agredir o mais novo dos jovens. Os confrontos, acrescentam, depressa envolveram outros militares e os dois adolescentes. "Só depois de ter sido espancado é que um dos jovens puxou de um canivete e atingiu a mão do guarda", conta Almerindo Lima com base em relatos dos moradores.

Esta versão contraria a descrição efetuada pelos militares. Estes referiram que estavam a realizar exercícios de corrida e, ao passarem junto do Bairro Verde, foram insultados e pediram ao grupo que terminasse com os ataques.

Porém, os adolescentes reagiram com violência e dois deles empunharam facas para atacar os militares. "Um dos guardas apenas evitou um golpe fatal por ter protegido o peito com uma mão, que acabou por ser perfurada", contou, em comunicado, a Associação dos Profissionais da GNR.

Aposta na inclusão para derrubar muros antigos

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Almerindo Lima critica o teor do comunicado, alegando que este é "generalista e condena toda a comunidade". O ativista até admite que no bairro da cidade de Peso da Régua há moradores com "comportamentos desviantes e criminosos", mas que estes "não representam toda a comunidade cigana" ali residente.

"Sempre existiu um muro entre o bairro e a restante população. Isto deve-se à falta de diálogo e de estratégias de inclusão das entidades locais, nomeadamente câmara municipal e forças de segurança", denuncia. "A comunidade cigana do Bairro das Alagoas está confinada, criaram-se muros e os conflitos surgem. Tem de haver uma aposta na educação e na implementação de estratégias que aproximem as duas partes", defende também.

Almerindo Lima teme que o histórico clima de tensão entre a comunidade cigana e a GNR de Peso da Régua se agrave na sequência deste episódio e venham a verificar-se "represálias" e atos de "vingança".

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