Santarém

Especialistas da GNR passam carro de Sara Carreira à lupa

Especialistas da GNR passam carro de Sara Carreira à lupa

Automóvel que transportava cantora e namorado apreendido para ser alvo de perícias. Guarda vai usar programa informático para reconstituir acidente fatal.

A investigação ao acidente que vitimou Sara Carreira está a ser tutelada pelo Ministério Público, mas são os militares do Núcleo de Investigação Criminal de Acidentes de Viação (NICAV) de Santarém da GNR quem está no terreno a recolher indícios e testemunhos que ajudem a compreender como tudo aconteceu.

Também são eles os responsáveis pelas peritagens ao local do despiste e às viaturas envolvidas. Aliás, o Range Rover no qual seguiam o membro mais novo do clã Carreira e o namorado Ivo Lucas já foi apreendido e colocado em local só acessível aos investigadores, que o irão analisar detalhadamente.

Importante para o desfecho do caso será, também, o programa informático da Equipa de Criminalística da Divisão de Investigação Criminal da GNR. Este software tem capacidade para criar uma imagem dinâmica tridimensional do acidente.

Logo ao início da noite do último sábado, os militares do NICAV de Santarém recolheram muita informação junto ao quilómetro 61 da A1, onde, a uma curta distância da saída da autoestrada para o Cartaxo, ocorreu o fatídico acidente. As condições climatéricas, nomeadamente a intensa chuva e a fraca visibilidade que se faziam sentir, assim como a aderência do piso foram analisadas pelo NICAV, acionado sempre que se regista mortes em acidentes rodoviários.

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Carro alvo de perícias

Contudo, esse foi somente o início de um trabalho que se perspetiva demorado e complexo. "Nas investigações dos acidentes de viação são tidas em conta todas as circunstâncias que possam ter contribuído para a ocorrência. A análise de todas as provas recolhias é crucial para as conclusões. Só na posse de todos os elementos recolhidos é que se poderá estabelecer a causa-efeito do acidente", esclarece fonte oficial da GNR. A mesma fonte confirma que a investigação, embora sob a responsabilidade do Ministério Público, está entregue ao NICAV de Santarém. Este núcleo já solicitou à concessionária da A1 as imagens captadas pelo sistema de videovigilância existente naquele troço. Esta foi uma das prioridades dos investigadores da GNR, uma vez que estas imagens são guardadas apenas por 24 horas.

A outra prioridade, apurou o JN, foi apreender o Range Rover que transportava Sara Carreira e Ivo Lucas. A viatura foi colocada em local seguro e só acessível a elementos ligados ao processo. E assim permanecerá até que seja alvo de perícias minuciosas a realizar pelos militares do NICAV. Muitos dos dados recolhidos nesta perícia serão enviados para a Divisão de Investigação Criminal da GNR, radicada em Lisboa, onde a Equipa de Criminalística dispõe de um programa informático que, após a inserção de dados como o tamanho do rasto de travagens registados no local, recria, num filme a três dimensões, os principais momentos do acidente. Os depoimentos das pessoas envolvidas no despiste ou que assistiram ao acidente também permitirão recolher informações essenciais para a descoberta da verdade.

Para já, os indícios conhecidos apontam para o despiste de um automóvel que circulava à frente do Range Rover de Sara Carreira e Ivo Lucas. As duas viaturas colidiram e o jipe dos músicos capotou junto ao separador central antes de ser abalroado por dois carros que seguiam atrás.

GNR apura causa do acidente em 95% das investigações

A GNR dispõe de um NICAV por distrito, com exceção de Lisboa e Setúbal onde existem duas estruturas em cada uma das localidades. Nestes núcleos há um total de 120 militares dedicados em exclusivo à tarefa de investigar as causas dos acidentes rodoviários em que se registem mortes no local ou durante o transporte das vítimas para o hospital.

Em 2019, estas equipas especializadas realizaram 778 investigações e concluíram 925 inquéritos. A taxa de sucesso - processos concluídos com a causa do acidente apurada - foi superior a 95%. Recorde-se que, no ano passado, morreram 472 pessoas nas estradas portuguesas.

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