Investigação

Fisco está a realizar buscas no Braga e no Vitória Sport Clube

Fisco está a realizar buscas no Braga e no Vitória Sport Clube

Inspetores da Autoridade Tributária, apoiados por militares da GNR, estão a realizar diversas buscas em Braga e Guimarães, nomeadamente nas instalações do Sporting Clube de Braga e do Vitória Sport Clube. Também as instalações da Gestifute, no Porto, foram alvo de buscas. O ex-internacional Deco, atualmente empresário de futebol, também é visado nesta operação.

São buscas realizadas no âmbito da Operação Fora de Jogo, que já conta com 130 arguidos e que investiga um alegado esquema de comissões-fantasma milionárias pagas por clubes de futebol, através da emissão de faturas de serviços de intermediação fictícios.

O JN sabe que o Ministério Público, a Autoridade Tributária e a GNR têm previsto realizar duas dezenas de buscas, incluindo às residências de Miguel Pinto Lisboa, presidente do Vitória, e de Carlos Freitas, ex-diretor-geral do departamento de Futebol do clube. Para já, não estão previstas detenções, nem constituição de mais arguidos.

A investigação também visa Deco, o antigo internacional português, que atualmente é agente de futebol. De acordo com informações recolhidas pelo JN, as autoridades conseguiram levar a cabo a busca, apesar de Deco estar ausente no estrangeiro.

"Em causa estão suspeitas de negócios simulados, celebrados entre clubes de futebol e terceiros, que tiveram em vista a ocultação de rendimentos do trabalho dependente, sujeitos a declaração e a retenção na fonte, em sede de IRS, envolvendo jogadores de futebol profissional. Os valores envolvidos rondarão os 15 milhões de euros", precisou o Departamento de Investigação e Ação Penal, numa nota de imprensa publicada esta quarta-feira.

Este megaprocesso começou em 2015 e, cinco anos depois, deu origem à maior operação de buscas de que há memória no Fisco e na Unidade de Ação Fiscal da GNR.

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O Fora de Jogo é um mega-processo complexo que agregou seis inquéritos, destinados a escrutinar negócios num total de 500 milhões de euros. Entre os 130 arguidos estão futebolistas, agentes ou intermediários, advogados, dirigentes desportivos, sociedades desportivas e outras pessoas singulares e coletivas.

No topo dos clubes sob suspeita estão Benfica, F. C. Porto, Sporting, Braga, Vitória Sport Clube (Guimarães) e Marítimo.

O esquema passará pela introdução de terceiros nos negócios entre as SAD dos clubes, jogadores e agentes. São empresas muitas vezes sediadas no estrangeiro, preferencialmente em paraísos fiscais e representadas por um advogado ou por outra sociedade, e que passam faturas de prestação de serviço de intermediação na compra e venda de jogadores de futebol.

Para as autoridades, a sua intervenção não é real, servindo apenas para inflacionar os custos do negócio, diminuindo dessa forma o IVA e o IRC a pagar. Por outro lado, as empresas também ajudam a fazer "desaparecer" o dinheiro, aproveitando as contas bancárias offshore, serviço que se estende a verbas pagas a agentes nas transferências. O "superagente" Jorge Mendes é dos principais visados neste inquérito.

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