Braga

Greve de guardas prisionais adia julgamento de suspeitos de sequestro

Greve de guardas prisionais adia julgamento de suspeitos de sequestro

A greve que os guardas prisionais têm em curso obrigou o Tribunal de Braga, esta quarta-feira, a adiar o julgamento de dois arguidos que sequestraram e roubaram um homem que lhes foi comprar haxixe.

O julgamento de Jaime Montolha e Rodrigo Silva, por crimes de roubo, sequestro e posse ilegal de arma, já tinha sido adiado duas vezes por causa da pandemia da covid-19.

O terceiro adiamento deveu-se à greve convocada pelo Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, a qual envolve o transporte dos arguidos aos tribunais de julgamento.

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Aquela greve, em curso desde setembro, tem adiado inúmeros julgamentos em todo o país, visto que os arguidos em prisão preventiva ou a cumprir penas noutros processos têm direito a estar presentes nos julgamentos.

Conforme o JN noticiou, a acusação diz que a vítima foi comprar droga para fumar um charro a um apartamento do Bairro Social de Santa Tecla e acabou roubado e sequestrado pelos dois arguidos.

Estou a ficar tolo!"

O caso que devia ter ido a julgamento nesta quarta-feira ocorreu em janeiro de 2020, quando um consumidor de haxixe pediu a um amigo que lhe indicasse um sítio para adquirir estupefaciente. Acabou por se dirigir ao rés-do-chão do Bloco 3 do Bairro de Santa Tecla e entrou. Feita a transação, ao prontificar-se para pagar, exibiu um maço de notas, 700 euros ao todo.

Aí, diz a acusação do Ministério Público, Jaime Montolha pegou numa caçadeira de dois canos e apontou-lha, dizendo: "Estou a ficar tolo!". O homem ameaçado ainda pediu ao outro que baixasse a arma - "Tira isso, irmão!" - mas sem efeito. Os outros dois exigiram-lhe a entrega do dinheiro, ao que a vítima acedeu, por temer pela vida.

De seguida, os arguidos tiraram a carteira e um cartão multibanco ao outro homem, obrigando-o a revelar o código secreto. Rodrigo foi, então, a uma caixa bancária, numa gasolineira da zona, levantou 100 euros e ainda tentou retirar mais 20, mas a conta não tinha saldo para tanto. Entrou, depois, na loja de conveniência e fez compras de 7, 35 euros.

José Manuel ficou sequestrado no apartamento, sob ameaça de um martelo e de uma faca. A dupla ainda tentou sacar-lhe outro cartão bancário, mas este também não tinha saldo. Mais de 24 horas depois, pelas 4h00 da madrugada do dia seguinte, a vítima conseguiu fugir, por ter concluído que os dois estavam distraídos noutra sala.

Seguiu-se uma rusga da PSP, a qual, além da caçadeira, apreendeu uma pistola modificada. Daí que o Jaime esteja, também, acusado de posse ilegal de armas.

Os dois arguidos ficaram presos preventivamente, um em Braga e outro em Leiria. A investigação foi da Polícia Judiciária de Braga.

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