Covid-19

Fugitivo com Covid-19 deu dados falsos para ludibriar autoridades e está em fuga com a mãe

Fugitivo com Covid-19 deu dados falsos para ludibriar autoridades e está em fuga com a mãe

O homem de 43 anos, infetado com Covid 19, que está fugido às autoridades na companhia da mãe, também infetada, continua em parte incerta. Ausentou-se da casa que arrendou na Póvoa de Varzim para fazer a quarentena mas também não está na residência habitual, na freguesia de Vinhós, Fafe, onde apenas permanece o pai.

Inicialmente, as autoridades associaram os dados pessoais que forneceu a um homem que foi condenado a uma pena de oito anos de cadeia por furtos no Algarve. Na verdade, esse condenado é um irmão que vive há muitos anos em França.

É que este operário da construção civil deu à PSP, na Póvoa de Varzim, o nome de Jean-Pierre e não João Pedro, como, na verdade se chama, dando também uma data de nascimento falsa e que seria a do irmão.

A mãe e o filho chegaram a aldeia natal de Vinhós, em Fafe, no final da terceira semana de março, vindos de França, onde o homem trabalha e tem um irmão a morar. Com sintomas gripais, foram os dois encaminhados para o Hospital de S. João, no Porto, a fim de realizarem o teste à Covid-19. Uma vez que apresentavam sintomas ligeiros, foram mandados para casa em isolamento.

Os resultados dos testes haveriam de sair no dia seguinte (23 de março) - positivo -, mas a Saúde nunca mais conseguiu contactar os dois doentes. Também a GNR foi, várias vezes, à casa, mas só encontrou o pai, cujo teste deu negativo. Disse sempre não saber da mulher e do filho.

As autoridades estiveram dois dias à procura de ambos. A mãe e o filho mudaram-se de Vinhós para Aver-o-Mar, na Póvoa de Varzim. No domingo, o homem foi detido pela PSP, mas voltou a fugir.

Primeiros casos em Fafe

Os dois doentes foram os primeiros casos de Covid-19 confirmados no concelho de Fafe. A viver numa pequena aldeia com 642 habitantes, depressa a notícia se espalhou. Por essa razão, a mãe e o filho foram para Aver-o-Mar, onde alugaram um apartamento da Rua de Paranho da Areia, próximo da praia da Fragosa.

Os vizinhos contam que "passava os dias na padaria e no café" e "andava na rua como se nada fosse". Ninguém imaginava que o novo habitante da freguesia estivesse infetado.

A investigação continuou e, este domingo, depois de várias tentativas para o contactar, a PSP montou um cerco junto à casa do homem, próximo da praia da Fragosa. Acabou detido por violação grave do dever de confinamento.

Vistos a carregar malas

Às autoridades alegou já não ter quaisquer sintomas, mas admitiu que, desde que fez o teste, tem andado na rua, não cumpriu o isolamento, nem utilizou quaisquer equipamentos de proteção.

O homem foi conduzido ao apartamento e avisado do dever de isolamento total a que está sujeito, até que volte a ser submetido a novo teste. Mas assim que os agentes da PSP viraram as costas, o operário da construção civil e a mãe foram vistos a carregar malas para o carro e a abandonar o apartamento.

Em Vinhós, durante a tarde, a GNR foi a casa da família, mas o pai voltou a dizer que nada sabe sobre o paradeiro da mulher e do filho.

Os vizinhos dizem tê-los visto a transportar mais malas para o carro.