Armamento

Instrução de Tancos começou com arguidos em silêncio

Instrução de Tancos começou com arguidos em silêncio

O primeiro dia da instrução do processo do roubo e recuperação de armamento dos paióis de Tancos terminou, esta quarta-feira, apenas uma hora após ter tido início. Nenhum dos dois arguidos convocados pelo juiz Carlos Alexandre para falar esta manhã quis prestar declarações.

A diligência decorreu entre as 9.30 horas e as 10.30 horas à porta fechada, no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), em Lisboa.

Valter Abreu e Jaime Oliveira, dois dos nove arguidos ligados ao assalto ocorrido a 28 de Junho de 2017, não tinham requerido a abertura da instrução, destinada a apurar se existem indícios suficientes para o caso seguir para julgamento, mas acabaram por ser chamados a depor.

Para a parte da tarde estava agendado o interrogatório de um dos militares da GNR de Loulé acusados de contribuir para a recuperação encenada, a 18 de outubro de 2017, da maioria do material furtado. A audição foi, porém, adiada para 13 de janeiro.

O processo de Tancos conta, no total, com 23 arguidos, nove dos quais ligados ao assalto e 14 associados ao achamento meses depois, na Chamusca, de parte do armamento. Entre estes últimos, estão Azeredo Lopes, ministro da defesa à data dos factos, Luís Vieira, então diretor da Polícia Judiciária Militar (PJM), e Vasco Brazão, ex-porta voz da mesma instituição.

Encontram-se os três entre os 15 arguidos que requereram a abertura da instrução, cujas diligências se irão prolongar, pelo menos, até 19 de fevereiro. Em causa estão, entre outros crimes, os de associação criminosa, tráfico e mediação de armas e falsificação ou contrafação de documento.

"Até agora, foi apresentada uma versão dos factos que, quanto a nós, é fictícia e conclusiva. Agora, é dada finalmente oportunidade aos arguidos e às defesas de apresentarem a sua versão", considerou, à entrada do TCIC, Manuel Fernando Ferrador, um dos advogados do ex-diretor da PJM.

O causídico acrescentou ainda que, quando for interrogado, Luís Vieira "vai responder a todas as perguntas que lhe forem feitas" e "demonstrar a sua verdade". Questionado sobre se, na ocasião, irá assegurar ser inocente, Manuel Fernando Ferrador que não diz "isso". "Ele vai apresentar a versão dos factos, explicar tudo aquilo que tem a explicar", reiterou. O interrogatório está agendado para 14 de janeiro.

Já o representante de Vasco Brazão, Ricardo Sá Fernandes, salientou que o antigo porta-voz da PJM "é provavelmente o único arguido que reconhece [algumas] responsabilidades". "O major Vasco Brazão colaborou com esta investigação desde o início. Tem sido exemplar nessa colaboração e reconhece os erros", afirmou.

E espera que deste processo saia a verdade, punindo de uma forma proporcionada quem tem responsabilidades, absolvendo quem não tem e com isso contribuindo para que este imbróglio de Tancos seja efetivamente esclarecido de uma forma definitiva, porque é isso que precisa o Exército e é isso que precisa o país", concluiu.

Vasco Brazão esteve, de resto, presente nas diligências desta quarta-feira, mas, à saída do TCIC, não quis prestar declarações aos jornalistas. O seu interrogatório está agendado para 10 de fevereiro, uma semana depois do de Azeredo Lopes, que já garantiu publicamente ser inocente.

A instrução prossegue na quinta-feira, com o interrogatório de outros cinco arguidos que não solicitaram a abertura da instrução.

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