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O que se sabe até agora

João Loureiro e o avião com meia tonelada de cocaína

João Loureiro e o avião com meia tonelada de cocaína

A 9 de fevereiro, a Polícia Federal Brasileira descobriu 500 quilos de cocaína escondidos num avião privado que deveria trazer João Loureiro para Portugal. O que se sabe até agora:

Quem contratou e quanto custou o voo?

O avião pertence à OMNI Aviation Group, uma empresa portuguesa com sede em Porto Salvo, Oeiras, e foi contratado por uma empresa brasileira, fundada em 2017, que presta serviços combinados de escritório e apoio administrativo em São Paulo. O aluguer de um avião similar a este para uma viagem Portugal-Brasil-Portugal custa cerca de 150 mil euros.

Quem viajou para o Brasil?

No dia 26 de janeiro, João Loureiro e Mansur Heredia, espanhol de origem argelina, viajaram de Tires, Cascais, para São Paulo, Brasil, com escala em Cabo Verde e São Salvador da Baía. João Loureiro diz que não conhecia o outro passageiro e que foi convidado a ir ao Brasil por uma firma brasileira que estaria interessada em investir em Portugal e que pretendia usar os seus serviços de consultor. Não revelou o nome da empresa e diz que não conhece a firma que pagou o frete do avião.

Quem deveria viajar para Portugal?

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Além dos três tripulantes, o manifesto de voo previa vários passageiros: João Loureiro; Mansur Heredia; o jogador do Benfica Lucas Veríssimo; Bruno Geraldes Macedo, empresário que esteve envolvido no regresso de Jorge Jesus ao Benfica; Hugo Cajuda, ex-futebolista e filho do treinador Manuel Cajuda; Bruno Carvalho dos Santos, agente que levou o treinador Abel Ferreira para o Palmeiras e, ainda, o empresário ligado aos vinhos Paulo Jorge Saturnino Cunha.

Porquê tantos passageiros?

Para conter a pandemia da covid-19, em janeiro, a 27 de janeiro, o Governo português suspendeu todos os voos comerciais diretos vindos do Brasil. Este voo privado poderia ser uma maneira eficaz de contornar a medida e trazer de regresso a Portugal vários cidadãos retidos no Brasil.

Quem convidou quem?

Segundo apurou o JN, terá sido João Loureiro a convidar os quatro elementos ligados ao futebol - dois deles de forma direta - e foi o ex-presidente do Boavista que solicitou à companhia de aviação lugares para pelo menos dois deles. Ao Público, fonte próxima de Saturnino Cunha disse que foi um empresário brasileiro ligado à sociedade que fretou o avião que lhe falou da possibilidade de vir no avião.

Porque é que tantos cancelaram a viagem?

Inicialmente, a viagem esteve programada para dia 31 de janeiro mas foi sendo sucessivamente adiada. Entretanto, vários passageiros desistiram do voo. Alguns encontraram rotas alternativas para Portugal através de voos comerciais com escalas na União Europeia, por exemplo, em Paris. Já Saturnino Cunha desistiu de viajar e optou por ficar de férias no Brasil. Mansur Heredia terá viajado para Madrid.

Quem é que efetivamente viajou de São Paulo a Salvador da Baía?

Os dois passageiros que restavam eram os dois que tinham seguido de Portugal: João Loureiro e Mansur Heredia. João Loureiro mantém que ficou em São Paulo. Porém, fontes ouvidas pelo JN afirmam que o empresário português viajou no dia 6 de fevereiro de São Paulo até Salvador da Baía, de onde deveria partir para Tires, via Cabo Verde, no dia seguinte.

Porquê Salvador da Baía?

O destino do voo de ida era o aeródromo de Jundaí, no Estado de São Paulo. Todavia, por se tratar de um voo internacional, a entrada no Brasil teria de ser feita através de um aeroporto com serviços de imigração e alfândega, daí ter feito uma escala no Aeroporto de São Salvador da Baía antes de seguir para São Paulo. Segundo o Público, também a saída do país teria de ser feita através de um aeroporto internacional, por isso a ligação São Paulo-Salvador antes de rumar a Tires.

Porque não partiu o avião no dia 7?

Na viagem para Salvador, no dia 6 de fevereiro, o piloto terá detetado problemas no trem de aterragem. Após aterrar, pediu uma revisão do aparelho que tinha ficado parado, desde dia 27, no aeródromo de Jundaí. Os técnicos só chegariam no dia 8. João Loureiro entretanto regressou a São Paulo.

Quando e como é descoberta a droga?

No dia 9, os técnicos procederam à inspeção do avião e detetaram vários pacotes de droga escondidos na fuselagem. A Polícia Federal Brasileira foi de imediato alertada e viria a retirar do avião 500 quilos de cocaína dissimulada em pacotes com inscrições de marcas conhecidas de vestuário desportivo como a Adidas ou a Nike. A preço de rua, a droga poderia render 45 milhões de euros.

Foi alguém detido?

Segundo a polícia brasileira, que acredita que a droga foi colocada em São Paulo, não foram efetuadas detenções. João Loureiro permanece no Brasil, segundo o próprio, por sua exclusiva vontade e é livre para regressar quando quiser, apenas tendo de informar as autoridades se mudar de morada. Também os três tripulantes já foram ouvidos e regressaram a Portugal.

O que diz João Loureiro?

O ex-presidente do Boavista assegura que não tem nada a ver com a droga e que até tinha alertado o comandante para fazer "uma inspeção rigorosa ao avião". Diz-se totalmente disponível para colaborar com as autoridades. Foi interrogado por quatro horas e cedeu informações e dados do seu telemóvel, como fotografias e mensagens.

A Polícia Brasileira tem suspeitos?

O coordenador-geral do departamento de repressão a Drogas e Fações Criminosas da PFB, Elvis Secco diz que há cinco pessoas sob investigação. "Enquanto não se esclarecer o assunto da cocaína, todos são suspeitos de tráfico de droga e lavagem de dinheiro, incluindo os três tripulantes e os dois passageiros [João Loureiro e Mansur Heredia]. Não estão presos, mas estão todos a ser investigados", afirmou o responsável ao jornal I.

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