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Prisão preventiva para suspeitos da morte de Jéssica 

Prisão preventiva para suspeitos da morte de Jéssica 

Cristina "Tita", o marido, Justo, e a filha, Esmeralda, vão ficar em prisão preventiva pela morte de Jéssica, a menina de três anos que terão espancado brutalmente em Setúbal por uma dívida da mãe. Os três estão indiciados por homicídio qualificado, extorsão, ofensas físicas graves e coação. Este último crime foi acrescentado pelo Ministério Público e tem em conta às ameaças de morte pelos suspeitos à mãe da menina.

A medida foi aplicada esta tarde de sábado pelo juiz de instrução criminal de Setúbal, a quem Justo e Cristina negaram a participação no crime. Esmeralda não falou.

Jéssica morreu na segunda-feira, quando foi entregue moribunda à família, depois de seis dias a ser espancada para forçar a mãe, Inês, a pagar uma dívida de 800 euros.

Tita, como é conhecida, fez um feitiço de amarração a Inês, que queria desta forma que o companheiro não a deixasse, apesar das ameaças de fim de relação que já tinha recebido, precisamente por endividar-se com a família de Cristina. Paulo já tinha saldado uma dívida do passado e não ia admitir mais nenhuma.

No dia 14, Cristina disse a Inês para ir deixar a menina lá em casa, para que esta brincasse com a sua neta, filha de Esmeralda. "Traz a menina enquanto falamos da dívida", consta numa mensagem que Inês mostrou à PJ. Na casa de Tita, os três suspeitos raptaram Jéssica, que ficou como depósito enquanto a mãe não pagasse a dívida.

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A menina foi espancada brutalmente e acabou por morrer no dia 20. Durante toda a semana, entre 14 e 20 de junho, Inês recebeu ameaças de morte por mensagens para saldar a dívida e para não se dirigir às autoridades para denunciar o rapto da filha.

Ao longo da semana, Inês não procurou ajuda junto do companheiro Paulo, a quem disse que a menina estava numa colónia de férias e era vista em bares de karaoke e festas populares, isto enquanto a menina era agredida brutalmente.

Sem meios para pagar as dívidas, e na segunda-feira, dia 20, Inês foi avisada para a ir buscar. Saiu de casa de Tita com a filha moribunda nos braços e não se dirigiu ao hospital, porque foi ameaçada de morte se o fizesse.

Em casa, a menina acabou por falecer e foi já na presença da PJ que Inês contou alguma da verdade, que a menina tinha caído quando estava ao cuidado de uma ama.

A PJ rapidamente desvendou a verdade. Chegou à fala com Tita em sua casa na noite de segunda feira e nunca perdeu os suspeitos de vista.

O casal e a filha preparavam já a fuga, dirigindo-se para Leiria, para daí fugirem do país, mas tinham a PJ no seu encalce. Na quarta-feira, os inspetores assistiram à autópsia da menina e assim que houve as conclusões preliminares, que apontavam para o homicídio da menina, detiveram os três.

A mãe de Inês foi ouvida na PJ e mostrou as mensagens que os suspeitos lhe enviaram e que mostravam as ameaças de morte a toda a família se denunciasse o caso.

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