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O avô do estudante de 18 anos suspeito de planear um ataque na Universidade de Lisboa mostrou-se, esta sexta-feira, "surpreendido" com a detenção do jovem. "Não sei como aquilo saiu da cabeça dele. Ele nem sabe pegar numa arma", disse.

Detenção

"Não sei como aquilo saiu da cabeça dele", diz avô de jovem que planeava ataque

"Não sei como aquilo saiu da cabeça dele", diz avô de jovem que planeava ataque

Do alto dos seus 89 anos, Fernando Carreira, conhecido na pacata Lapa Furada, na Batalha, como o "Fernando dos Relojinhos", diz não conseguir ainda acreditar no que aconteceu.

"A família ficou toda empenada. Quem é que fazia aquilo?", começa por contar ao JN, à porta de casa. "A minha nora não quis acreditar quando soube. E a mim, custa-me a crer. Ela ainda foi lá há 15 dias lavar o quarto e não havia nada", acrescentou, mostrando-se visivelmente "surpreendido" com o rol de objetos apreendidos pela Polícia Judiciária (PJ).

Sem conseguir apelidar o neto de "terrorista", como ouviu na rádio, de manhã, Fernando atribui os problemas de socialização de João a uma doença de que ele padece, mas que não consegue explicar. "Se falarem para ele, mal compreendem. Ele tem aquele problema de falar. Ele estava sempre em casa no computador", garante.

A PJ esteve na pequena aldeia, na casa do estudante universitário de informática, de 18 anos. "Pararam os dois carros e perguntaram-me se estava alguém em casa. Disse-lhes que estava lá o meu filho. Viraram as camas, tudo, mas não encontraram nada", conclui, duvidando dos achados de Lisboa.

Em Moita do Martinho, ao lado da aldeia de Lapa Furada, a notícia foi recebida com choque. "Não há ninguém que consiga dizer mal dos pais do João. Imagino o que eles estão a sofrer agora. Essas pessoas vão precisar de muita ajuda", diz ao JN o habitante Júlio Vieira ou Júlio "Bela", como é conhecido na terra, sem deixar de louvar a PJ pelo trabalho que evitou uma "tragédia".

No Agrupamento de Escolas da Batalha, onde João estudou e onde o JN esteve, esta sexta-feira o acontecimento era tema de conversa. Quem conviveu de perto com o estudante diz que era reservado, excelente aluno, mas que não se integrava com os colegas. "Não me acredito que ele sozinho fosse matar 60 pessoas", desabafou uma aluna.

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