Controlo

GNR usa drones com visão térmica no cerco a Ovar

GNR usa drones com visão térmica no cerco a Ovar

Cento e vinte militares da GNR - no início foram 160 - asseguram, diariamente, 73 pontos de controlo, incluindo dez de entradas e saídas de pessoas e bens, distribuídos por cerca de 100 quilómetros quadrados de Ovar, concelho onde 55 mil habitantes estão confinados a um cerco sanitário.

Um verdadeiro "exército" composto por homens e mulheres do Destacamento Territorial de Ovar, reforçado por elementos do Comando Territorial de Aveiro, da Unidade Especial de Proteção e Socorro, do Destacamento de Intervenção do Porto e que inclui oito patrulhas móveis, outras duas montadas a cavalo e os elementos da Secção de Policiamento Comunitário na vigilância aos idosos.

O dispositivo da Guarda conta ainda com três drones da Equipa de Matérias Perigosas. Estas máquinas, que foram usadas pela GNR na tragédia moçambicana provocada pelo ciclone Idai e que permitiram resgatar, no final do ano passado, um idoso perdido em Aljezur, Algarve, dispõem de tecnologia de ponta que possibilita, através de uma câmara térmica, identificar quem, durante a noite, tente violar as 63 barreiras de cimento e metal ou as valas (algumas com 25 metros de largura) colocadas pela GNR para evitar a violação do cerco.

"Estes drones permitem-nos verificar se há pessoas fora das suas habitações, a desrespeitar o que está indicado pela Direção-Geral da Saúde, bem como transmitir uma mensagem [por uma coluna existente no drone] que aconselha todos os cidadãos a respeitar as imposições legais. Uma vez que seja verificado o desrespeito pela informação transmitida, o comandante da operação é informado e ativa os mecanismos legais para cessar a infração", explica Ernestino Fidalgo, um dos dois operadores de drones ao serviço, no concelho de Ovar.

"Infelizmente, detetámos muito mais pessoas do que aquelas que gostaríamos. As praias são o principal sítio onde se refugiam para um passeio e onde se tem verificado uma grande acumulação de pessoas. É aí que temos insistido com a vigilância", acrescenta o militar.

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Ao JN, o capitão Victor Ribeiro revela que já foram feitas cinco detenções desde que o isolamento foi imposto em Ovar. Algumas por desrespeito das ordens de paragens nos pontos de controlo, outras por tentativa de contornar o cerco definido. "Não houve um período preparatório desta situação e, no início, foi difícil convencer as pessoas para a necessidade de ficar em casa. Barreiras com centenas de quilos foram derrubadas e partidas para alguns veículos poderem passar por aquele local. Hoje, todos já estão mais sensibilizados, mas há sempre exceções que tentamos resolver com pedagogia", descreve o comandante do Destacamento de Ovar da GNR.

O capitão Victor Ribeiro retorna aos dias seguintes a 17 de março - quando foi decretado o estado de calamidade no município - para demonstrar que tudo o que está a acontecer em Ovar é inédito. "A reunião do Conselho Municipal da Proteção Civil terminou pelas 18 horas e, de imediato, mobilizámos mais de 50 militares. Três horas depois o cerco estava montado em todo o concelho. Os primeiros dias foram desafiantes, porque se tratou de uma operação logística inédita, urgente e de grande dimensão", alega.

Temperatura controlada

Para o sucesso da missão, garante o capitão Victor Ribeiro, foi fundamental a abnegação dos militares que, nos dois primeiros dias do cerco, enfrentaram "condições muito severas". "Os que estavam nos pontos de controlo só tinham a viatura para se salvaguardar do sol ou da chuva. Deram o seu melhor e continuam totalmente disponíveis", elogia.

Entretanto, a GNR já conseguiu instalar contentores (nos quais os guardas fazem as refeições fornecidas por uma empresa contratada) em todos os "checkpoints" e até criou uma equipa que, várias vezes ao dia, monitoriza a saúde dos militares e os apoia. "Percorremos todos os postos de controlo, fazemos a medição de temperatura e abastecemos os locais com material de proteção, alimentação e água. Este controlo da saúde é muito importante. Até agora, todos estamos bem e confiantes", garante a guarda Patrícia Dourado.

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