Quinta da Torre Bela

Ministro manda revogar licença de caça após morte de 540 animais na Azambuja

Ministro manda revogar licença de caça após morte de 540 animais na Azambuja

"Inaceitável", considera o ministro do Ambiente sobre a matança de centenas de animais numa montaria na Azambuja, ordenando a revogação imediata da licença de caça da Quinta da Torre Bela.

O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) "vai de imediato revogar a licença de caça e vai, com o trabalho que está hoje a fazer no terreno, apresentar uma queixa ao Ministério Público", anunciou o ministro do Ambiente, esta terça-feira na rádio TSF, reagindo à divulgação de imagens de centenas de animais mortos após uma montaria realizada no fim de semana na Quinta da Torre Bela, em Aveiras de Cima, no concelho da Azambuja.

João Pedro Matos Fernandes não escondeu a sua indignação perante a "gabarolice de um ato vil", considerando ​​​​​as imagens de 540 veados e javalis mortos e alinhados no chão como troféus de caça. "A caça repovoa um conjunto de ecossistemas, existe, é autorizada, para gerir recursos energéticos. Não é para matanças generalizadas", sublinhou o governante. "Eu não confundo este ato vil, este ato de ódio, com a caça".

O que se passou na Quinta da Torre Bela é diferente, ressalva. "O ICNF está neste momento a recolher as provas daquilo que pode muito bem ser um crime", disse, para apresentar queixa ao Ministério Público. O ministro confessou ter ficado "chocado" com as imagens e classificou o ocorrido como "inaceitável", admitindo um processo de revisão das montarias, para que haja maior fiscalização.

A tutela refere em omunicado que, em articulação com o ICNF, "procederá de imediato a uma participação junto do Ministério Público sobre os acontecimentos na Herdade da Torrebela", no distrito de Lisboa.

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"No processo de averiguação realizado pelo ICNF, no qual está a ser coadjuvado por uma brigada da GNR/SEPNA, foram recolhidos fortes indícios de prática de crime contra a preservação da fauna durante uma montaria realizada em 17 e 18 de dezembro, na qual terão participado 16 caçadores", adianta.

A nota lembra que o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Matos Fernandes, vai ainda convocar o Conselho Nacional da Caça para, no início do ano, se realizar uma reflexão sobre a prática de montarias em Portugal.

"É entendimento do ministério que são necessárias alterações à lei para impedir que os vis acontecimentos relatados se repitam", acrescenta.

A tutela sublinha que "as denúncias e notícias sobre o abate indiscriminado de animais na Herdade da Torrebela nada têm a ver com a atividade cinegética, entendida como uma prática que pode contribuir para a manutenção da biodiversidade e dos ecossistemas".

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