Gondomar

Vão sair 32 camiões por dia com lixo tóxico em S. Pedro da Cova

Vão sair 32 camiões por dia com lixo tóxico em S. Pedro da Cova

Operação de limpeza nas antigas minas começa na segunda-feira e vai durar oito meses. População satisfeita com remoção. Câmara de Gondomar espera que Governo ajude a reabilitar aquela área.

Para a população de S. Pedro da Cova, Gondomar, a segunda fase de retirada de resíduos perigosos das antigas minas, que começa depois de amanhã, "peca por tardia". Mas, ainda assim, reconhecem que "é o melhor que pode acontecer à freguesia". O ministro do Ambiente, Matos Fernandes, e o presidente da Câmara, Marco Martins, vão assinalar o início dos trabalhos, acompanhando a saída do primeiro camião carregado com lixo tóxico.

É pela Rua do Castanhal, junto às piscinas municipais, que nos próximos oito meses os camiões voltam a sair com os resíduos perigosos retirados das escombreiras das antigas minas de carvão, com destino à Chamusca, onde serão tratados.

Todavia, a operação de transporte das 125 mil toneladas restantes não será feita nos mesmos moldes da primeira fase, há seis anos. Segundo o autarca de Gondomar, "mais de 90% dos resíduos vão por via ferroviária". "Os resíduos vão sair já em contentores e os camiões apenas os vão levar até ao comboio, em Campo, Valongo. Com esta metodologia, estamos a contribuir para a redução da pegada ecológica", sublinhou.

Por dia, é expectável que sejam retiradas "cerca de 800 toneladas", avançou o edil. Contas feitas, serão 32 camiões a sair com lixo tóxico das antigas minas todos os dias. Há mais de um mês que arrancaram os trabalhos de desmatação e de limpeza dos terrenos, sendo já visível à saída do estaleiro uma balança onde cada camião carregado será pesado e um lava-rodados.

"A retirada dos resíduos perigosos vem tarde, mas sempre vem! O que já não é mau", desabafou ao JN Luís Monteiro, 33 anos, sublinhando que a população de S. Pedro da Cova "não merecia" ter passado por isto.

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A mesma opinião tem Lucinda Rodrigues, 53 anos, convicta de que tudo se tratou de "politiquice". E acrescentou: "Muita gente morreu com cancro e não se saberá se foi por causa dos resíduos perigosos aqui depositados".

Talvez por isso, Delfim Serra, 68 anos, seja cauteloso: " O melhor era não se mexer em mais nada". Mas logo se ouve um chorrilho de críticas: "O bom é tirar! E quanto mais depressa, melhor", solta José Cunha, 63 anos. Também José Cruz, 70 anos, é da mesma opinião: "Durante 18 anos fui o responsável pelo pavilhão lá à beira e sempre achei muito estranho os carregamentos acontecerem sempre à noite. Boa coisa não era".

"Fazer justiça"

"Tínhamos a obrigação de fazer justiça para com esta população, que merece ser compensada", desabafou ao JN Marco Martins, destacando "a vontade do Governo para refinanciar, com 12 milhões de euros, a retirada total dos resíduos", em articulação com a Câmara, "que viabilizou que isso acontecesse quando expropriou os terrenos".

"Só espero que o Governo reconheça o nosso trabalho e nos ajude a requalificar esta zona", reforçou o presidente. Nos planos do Município está a reabilitação de toda esta área, envolvendo o Cavalete de S. Vicente (cuja obra vai custar 400 mil euros), assim como criar uma outra "porta de entrada" para o Parque das Serras do Porto.

Junho de 2001 - A Siderurgia Nacional, na Maia, começa a depositar resíduos nas minas de S. Pedro da Cova. Em fevereiro de 2002, a DRAOT ordenou a cessação da deposição.

Março de 2011 - Após 10 anos de suspeitas, análises do Laboratório Nacional de Engenharia Civil confirmam que os resíduos são perigosos.

Outubro de 2014 - Começam os trabalhos de remoção, após muitos avanços e recuos.

Julho de 2017 - Governo aprova 12 milhões de euros para remoção do que resta dos resíduos perigosos.

Novembro de 2018 - Foi aceite uma providência cautelar apresentada por um dos proprietários dos terrenos, impedindo a entrada nas minas.

Julho de 2020 - Câmara de Gondomar tomou posse dos cerca de 19 hectares onde ainda estão depositados os resíduos perigosos.

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