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Até ao presidente da Câmara do Porto tentaram vender droga

Até ao presidente da Câmara do Porto tentaram vender droga

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, denunciou a falta de efetivos da PSP para garantir um policiamento capaz na movida. A Autarquia está disponível para pagar parte da fatura do policiamento gratificado, mas o pedido não foi acolhido. Enquanto isso, o sentimento de insegurança na cidade vai aumentando.

O episódio foi contado pelo presidente da Câmara do Porto e espelha o clima que, por estes tempos, marca a movida da cidade. Passava o autarca junto à estação de S. Bento acompanhado pelo comandante da Polícia Municipal quando, provavelmente sem se aperceber de quem era, um indivíduo tentou vender-lhes droga. Rui Moreira até acredita que nem seria droga, antes uma imitação com que muitos transeuntes são aliciados (e os compradores enganados), mas não deixa de ser uma situação reveladora do sentimento de insegurança que está a tomar conta da Baixa da cidade. E sem que a PSP tenha efetivos suficientes para garantir um policiamento capaz, denunciou o presidente da Câmara, no final de um Conselho Municipal de Segurança em que se somaram as críticas. Tudo que se disse no Conselho será remetido para o ministro da Administração Interna.

A Autarquia até está disponível para suportar parte da fatura de policiamento gratificado, mas o pedido foi "desconsiderado" pela Direção Nacional da PSP.

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"É óbvio e evidente que o número de efetivos da PSP na cidade do Porto é manifestamente insuficiente", reiterou Moreira, lembrando que, por isso mesmo, a Câmara não consegue recrutar agentes daquela força para a Polícia Municipal. Que, não tendo competências na área da segurança pública, também está a mirrar. Dos 277 agentes previstos, atualmente só tem 189. E se nada for feito entretanto, em 2027 terá apenas 40 elementos, tornando-se "absolutamente ineficaz".

Mas a preocupação mais premente prende-se mesmo com a falta de policiamento da cidade. E isto numa altura em que se verifica um crescimento de incidentes criminais e de venda de droga (ou imitações) na zona de animação noturna do centro da cidade. "A recorrência dos fenómenos criminais poderão a breve trecho propiciar o evitamento do espaço [zona da movida], tornando-o apetecível a quem faz do crime modo de vida", alerta a Autarquia.

"A Câmara está disponível para pagar uma parte da fatura transitoriamente até que haja gentes suficientes para cumprir esta missão. Não conseguimos compreender porque é que isto não é respeitado e é desconsiderado pelo diretor nacional da PSP, que entende que quando há celebrações do Futebol Clube do Porto a cidade se transforma no Vietname", afirmou Rui Moreira. O autarca lembrou que em tempos já houve policiamento gratificado e que isso permitiu "atenuar" a insegurança na movida.

"Num mundo ideal não seria preciso policiamento gratificado nas ruas do Porto à noite, haveria o número de agentes suficientes da PSP para desempenharem as tarefas necessárias", salvaguardou.

"Das duas uma, ou há agentes suficientes, como diz o senhor ministro [da Administração Interna], ou são insuficientes, como diz o diretor nacional da PSP. O senhor ministro diz que há polícias a mais e que é preciso realocá-los, foi isso que disse, falando de estatísticas internacionais. O diretor da PSP diz que não há efetivos para aumentar o número de efetivos na cidade do Porto. Entendam-se", sublinhou, ainda.

O presidente da Câmara do Porto lembrou que a pandemia mudou alguns hábitos de quem frequenta a animação noturna. Agora, há muitas pessoas que levam o álcool de casa e bebem na rua, potenciando o botelhão. Mais grave, acrescentou: veem-se muitos menores embriagados nas ruas.

O autarca assinalou, ainda, que o problema não se resolve com unidades móveis de policiamento. O que se pretende é policiamento visível nas ruas e de proximidade.

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