
Foto: Daniel Leal/AFP
Netflix, Amazon e Disney competem para transformar polémicas do irmão do rei Carlos III em série ou filme. "The crown" pode incluir novos episódios.
A detenção do ex-príncipe André, a 19 de fevereiro, em Sandringham, voltou a colocar o irmão do rei Carlos III no centro das atenções. O episódio provocou uma corrida frenética em Holly- wood para transformar a sua história em série ou filme, despertando interesse de estúdios, argumentistas e produtores nos principais centros de produção.
Nos bastidores, fala-se num especial de "The crown", que poderá dramatizar os episódios mais polémicos da vida de Andrew Mountbatten-Windsor. Uma fonte próxima da produção explicou que "os acontecimentos da última semana são inéditos". Há já conversações da Netflix com a produtora Left Bank Pictures, detentora dos direitos de "The crown", sobre uma "série limitada que explore escândalos reais". A mesma fonte acrescentou que, mesmo depois do final da série principal, ""The crown" continuará a marcar presença", incluindo potencialmente uma minissérie sobre o ex-duque de Iorque, considerada "tão dramática, ou mais, do que episódios sobre a abdicação ou a morte de Diana".
O interesse não se limita à Netflix. Amazon e Disney observam atentamente a saga de André, atraídos pelo impacto mediático da sua ligação a Jeffrey Epstein, magnata acusado de crimes sexuais que morreu em 2019. Argumentistas e estúdios estão numa corrida para garantir direitos de adaptação, apostando no drama real como um dos destaques do "mês de filmes e séries" que se aproxima.
Drama real apetecível
Um responsável da Disney Studios confidenciou que os pedidos de argumentistas para adaptar esta história se têm multiplicado. "A corrida para ser o primeiro a produzir um filme sobre o duque de Iorque está aberta". Jeremy Brock, argumentista da série da Amazon "A very royal scandal", baseada na polémica entrevista do duque à BBC em 2019, acrescentou que "executivos da Netflix e da Amazon estão 100% a discutir a criação de um drama sobre a sua queda contínua". "Há tantos elementos neste desenvolvimento: André, a família real britânica, a polícia, as vítimas de Epstein e figuras poderosas envolvidas", acrescentou.
No dia da detenção, que coincidiu com o seu 66.° aniversário, o duque de Iorque foi libertado após cerca de 11 horas sob custódia. Está a ser investigado por alegada má conduta em funções públicas, nomeadamente a partilha de informações confidenciais com Jeffrey Epstein durante o seu mandato como enviado comercial do Reino Unido entre 2001 e 2011. Até ao momento, não foi acusado, mas poderá enfrentar prisão perpétua se for condenado.
O rei Carlos III, de 77 anos, garantiu o "total apoio e cooperação" do Palácio de Buckingham à investigação em curso. Em outubro de 2025, o irmão André renunciou formalmente aos títulos reais, após anos de polémicas e alegadas ligações a Epstein, consolidando o afastamento da vida pública.
O interesse das plataformas de streaming promete reacender a atenção do público pela monarquia britânica, transformando acontecimentos recentes numa história com pano para mangas e capítulos apetecíveis.

