Dia de campanha no distrito do Porto, com uma figura emblemática do CDS local, António Lobo Xavier, a encarregar-se de responder aos ataques a Paulo Portas, dizendo apenas serem obra de "figuras de segunda ou terceira linha que lançam gritos de rua desagradáveis".
Ao líder do partido ficaram reservadas, na manhã desta terça-feira, declarações enquadradas no programa eleitoral do partido, relativas ao mundo laboral e à agricultura, após uma visita à Vercoope, união de adegas cooperativas da região dos vinhos verdes, sedeada no concelho de Santo Tirso.
Mas o maior impacto coube, de facto, a Lobo Xavier, não apenas pelas críticas à "agressividade, fruto por vezes de alguma inexperiência, por outras de falta de calma", mas pela forma como vê o papel reservado ao partido em que milita: "Não faz sentido que se fale em necessidade de mudança de regime. O que muda a política é o voto e a participação, e falta, ainda, experimentar um CDS forte".
Que força é essa? O centrista não quantifica, mas nota que quanto mais forte melhor, traçando a vitória como um cenário ideal, embora não o dê como previsível.
Interessar-lhe-á uma posição de peso numa coligação com o PSD, o parceiro "mais próximo", mas também não fecha a porta totalmente a um acordo pós-eleitoral com o PS.
O mesmo não pode dizer-se em relação a José Sócrates: "Não me parece que José Sócrates possa ser peça de qualquer trabalho de reconstrução do país".
Já Paulo Portas aproveitou apenas para repisar questões programáticas, designadamente relacionadas com a mobilidade social, uma bandeira do partido.
"As pessoas têm de ter a esperança de que trabalhando podem subir na vida", disse o presidente do CDS, insistindo numa proposta que tem feito nos ultimos dias: a de que, quando o país estiver em crescimento económico (na segunda metade da próxima legislatura, afirma), seja substancialmente aliviada a carga fiscal sobre as horas extraordinárias, no sector privado.
