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A chegada à Estação Espacial: o trampolim funcionou mesmo

A chegada à Estação Espacial: o trampolim funcionou mesmo

Está completa a primeira fase da missão conjunta da empresa privada SpaceX e da NASA. O módulo que levava a bordo dois astronautas norte-americanos acoplou à Estação Espacial Internacional mais cedo do que o previsto.

"O trampolim funciona". A frase bem-humorada, dita entre risos, é de Elon Musk - além de patrão máximo da Tesla, também o fundador da empresa Space X, que no sábado lançou dois astronautas da NASA para a Estação Espacial Internacional (EEI), quebrando com a exclusividade da agência espacial russa. O empresário referia-se, em conferência de imprensa, a uma provocação lançada em 2014 pelo diretor da Roscomos, Dmitri Rogozin, num período de tensão em que Moscovo ameaçava suspender a cooperação espacial com Washington. Na altura, o responsável pela agência espacial do histórico rival norte-americano disse que, sem ajuda russa, os EUA precisariam de "um trampolim" para chegarem ao local onde acabaram por chegar este domingo.

Eram 15.16 no relógio português, cerca de 15 minutos antes da hora prevista, quando a cápsula Crew Dragon - a "bela máquina" que levava a bordo Doug Hurley e Bob Behnken, autor da descrição - começou a acoplagem à Estação Espacial, de forma automática e sem necessidade de assistência, concluindo uma histórica viagem de 19 horas, naquela que foi a primeira nave privada rumo ao espaço. Com partida no Cabo Canaveral, na Florida, o voo espacial foi também o primeiro dos Estados Unidos desde 2011; até agora, os astronautas norte-americanos só faziam lançamentos a partir da base russa de Baikonur, no Cazaquistão.

Três horas depois, ao entrarem na EEI, Hurley e Behnken foram recebidos com aplausos e abraços dos três colegas a bordo do laboratório (dois russos e um norte-americano), antes de uma cerimónia de boas-vindas com direito a mensagens da Terra. "O mundo inteiro viu esta missão e estamos muito orgulhosos do que fizeram por este país e da forma como inspiraram o mundo", disse-lhes Jim Bridestine, administrador da NASA. "Há cerca de nove anos, acoplamos com o Atlantis no último voo. Ano após ano, o pessoal da NASA e da SpaceX juntaram-se e restabeleceram a capacidade dos Estados Unidos. Estes tempos negros que temos tido ultimamente podem inspirar os jovens a trabalhar muito para verem aquilo que podem alcançar", responderam os astronautas, que apesar do nervosismo ainda conseguiram dormir sete horas.

Mais do que uma missão bem-sucedida, o lançamento da Crew Dragon é um "nós estamos aqui" com os olhos postos na Lua - Bridestine lembrou que a próxima aterragem lunar será com módulos comerciais vindos de empresas privadas - e em Marte - Musk espera que este seja "o primeiro passo numa viagem da civilização" até ao planeta.

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