Polémica

Afinal Ucrânia não vai receber caças da União Europeia

Afinal Ucrânia não vai receber caças da União Europeia

Nem Polónia, nem Bulgária, nem Eslováquia. Ao contrário do que tinha sido anunciado pelo governo da Ucrânia, nenhum país europeu irá ceder caças para o exército ucraniano combater contra os invasores russos.

Esta segunda-feira, um alto responsável de Kiev tinha garantido que os pilotos ucranianos já tinham saído do país para receber os caças cedidos pelos aliados europeus. A conta oficial do Parlamento Ucraniano no Twitter até avançou que seriam 70 caças, 56 dos quais Mig 29 de origem soviética, muito familiares aos pilotos ucranianos. As restantes 14 aeronaves seriam SU-25 da Bulgária.

Porém, fontes oficiais dos três supostos países doadores negaram ao site Politico que tal fosse verdade. O primeiro-ministro búlgaro explicou que o seu país não tinha aviões suficientes para defender o seu próprio espaço aéreo, quanto mais para emprestar à Ucrânia. Também um porta-voz da Eslováquia assegurou que não iriam enviar caças.

Seria "uma interferência no conflito"

Ontem, terça-feira, o presidente polaco, Andrej Duda, negou a cedência de aeronaves ao país vizinho por "tal constituiria uma interferência no conflito". Ao lado do secretário-geral da NATO, o chefe de Estado polaco aproveitou para frisar que a NATO não é parte do conflito na Ucrânia. Esta é uma ressalva que a aliança se tem esforçado por salientar, apesar de vários membros estarem a ajudar a Ucrânia com material militar e a decretar sanções à Rússia.

A ideia de que a União Europeia ia entregar caças à Ucrânia foi espoletada pelo chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, durante uma conferência de imprensa no domingo. "Vamos disponibilizar... até caças" à Ucrânia, disse. No dia seguinte, Borrell voltou atrás e esclareceu que os caças tinham sido pedidos, mas que, por motivos financeiros, a União Europeia não os podia financiar e só poderiam ser doados bilateralmente por países membros.

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Medida não teve consenso

Vários diplomatas europeus terão garantido ao Politico que Borrell chegou informalmente a sondar a disponibilidade da Bulgária, Polónia e Roménia para ceder alguns dos seus caças pois ainda usam antigas aeronaves soviéticas muito familiares aos pilotos ucranianos.

Um outro diplomata da União Europeia disse que os países membros ficaram "revoltados" com as afirmações públicas de Borrell sobre os caças pois a medida ainda não tinha merecido consenso. Aliás, se alguns países até estivessem a ponderar enviá-los, poderão ter mudado de ideias após a divulgação daquela intenção, acrescentou.

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