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Amanda Nguyen, a astronauta vietnamita-americana que fez parte da missão espacial feminina da Blue Origin, revelou o seu diagnóstico de depressão após sofrer uma "onda de assédio" após a viagem, na qual se tornou a primeira mulher vietnamita a ir ao Espaço.
Nguyen, de 34 anos, participou no histórico voo de 11 minutos em abril, cuja tripulação incluía a cantora Katy Perry, a jornalista Gayle King e a jornalista e mulher do fundador da Blue Origin, Jeff Bezos, Lauren Sánchez. O voo foi muito criticado pelo seu impacto ambiental, com os críticos a questionarem o seu propósito e a utilização dos recursos.
Para Nguyen, que é ativista dos direitos civis dos sobreviventes de agressão sexual e cientista investigadora em bioastronáutica, a reação negativa ao voo fez com que as suas conquistas e sonhos profissionais fossem "enterrados sob uma avalanche de misoginia".
Numa longa nota partilhada no Instagram na terça-feira, a astronauta revelou que, quando King ligou para saber como estava dias após o voo, "disse-lhe que a minha depressão poderia durar anos". Segundo Nguyen, o volume de cobertura jornalística e a reação nas redes sociais à viagem foram tão "sem precedentes" que até uma "pequena fração de negatividade se torna impressionante". "Isto representou milhares de milhões de impressões hostis", contou, "um ataque que nenhum cérebro humano evoluiu para suportar". "Não saí do Texas durante uma semana, incapaz de sair da cama. Um mês depois, quando um funcionário da Blue Origin me ligou, tive de desligar na cara dele porque não conseguia falar no meio das lágrimas", escreveu.
Oito meses depois de ter concretizado o sonho de ir ao Espaço, Nguyen considera que "a névoa da tristeza começou a dissipar-se" e agradeceu a todos os que a apoiaram e lhe enviaram votos de melhoras. "O Vietname salvou-me. Vocês todos salvaram-me", continuou. "Quando Neil Armstrong pisou a Lua, choveram bombas sobre o Vietname. Este ano, quando a minha família de refugiados olhou para o céu, em vez de bombas, viu a primeira mulher vietnamita no Espaço. Viemos em barcos e agora estamos em naves espaciais".
Nguyen colocou em espera a sua ambição de vida de se tornar astronauta depois de outro estudante a ter violado na universidade. Em 2019, o seu ativismo em prol das sobreviventes de agressão sexual levou-a a ser nomeada para o Prémio Nobel da Paz e, em 2022, foi uma das mulheres do ano da revista Time.
Apesar da reação negativa, a astronauta disse que "muito bem surgiu", incluindo a atenção dos média para a sua investigação sobre a saúde da mulher e as oportunidades de conhecer líderes mundiais em relação à defesa das sobreviventes de violação. "É o maior presente deste fim de ano poder sentir a neblina a dissipar-se", escreveu Nguyen. "Posso dizer à Gayle que não vai demorar anos".

