
Foto: AFP
Os Estados Unidos anunciaram novos ataques aéreos contra dois navios suspeitos de envolvimento no tráfico de droga, que terão causado a morte de oito pessoas.
"As informações de inteligência confirmaram que estes navios estavam a utilizar rotas conhecidas pelo tráfico de droga e estavam ligados a este tráfico", afirmou na quarta-feira o Comando Sul das Forças Armadas dos EUA, que cobre a América Latina e Caraíbas.
"No total, oito narcoterroristas foram mortos durante estas operações", especificou o Comando Sul, usando a expressão usada pela Administração do presidente Donald Trump para equiparar os traficantes de droga a terroristas.
O Comando Sul não revelou onde aconteceram as operações, mas mais de uma centena de pessoas foram mortas e cerca de 35 embarcações destruídas por ataques semelhantes dos EUA nas Caraíbas e no Pacífico desde setembro.
Horas antes, os EUA tinham anunciado ataques, realizados na terça-feira, contra três navios, alegados alvos de tráfico de droga, que mataram três pessoas, no âmbito das operações militares norte-americanas na América Latina e Caraíbas.
O Comando Sul disse que os serviços de informação norte-americanos confirmaram que as três embarcações "estavam a navegar por rotas conhecidas de tráfico de droga e tinham transferido estupefacientes entre si antes dos ataques". As imagens que acompanham a mensagem na rede social X mostram a destruição de um primeiro barco em movimento, seguido de outros dois que parecem estar à deriva.
On Dec. 30, at the direction of @SecWar Pete Hegseth, Joint Task Force Southern Spear conducted kinetic strikes against three narco-trafficking vessels traveling as a convoy. These vessels were operated by Designated Terrorist Organizations in international waters. Intelligence... pic.twitter.com/NHRNIzcrFS
- U.S. Southern Command (@Southcom) December 31, 2025
O Comando Sul declarou que, após os bombardeamentos, "notificou imediatamente a Guarda Costeira dos Estados Unidos para ativar o sistema de busca e salvamento" dos sobreviventes.
Mais de uma centena de mortos
O ataque agora relatado é o mais recente de uma série de operações deste tipo no âmbito da Operação Lança do Sul, que já matou mais de uma centena de pessoas acusadas por Washington de transportar droga para os Estados Unidos.
A legalidade da operação tem sido amplamente questionada por alegados indícios de execuções extrajudiciais por parte dos militares norte-americanos.
Desde o verão que o Pentágono mantém um destacamento militar sem precedentes no sul das Caraíbas, o maior em décadas, enquanto Washington tem vindo a alertar que o seu objetivo é que Maduro e os seus colaboradores, acusados de liderar um narcoestado, renunciem ao poder.
A administração do presidente norte-americano, Donald Trump, começou a argumentar nas últimas semanas que o regime de Caracas roubou instalações e bens de empresas petrolíferas norte-americanas na Venezuela e anunciou que vai confiscar petroleiros que transportam crude venezuelano, o que já aconteceu em duas ocasiões.
A tudo isto acresce o ataque, enigmaticamente anunciado por Trump esta semana, a um cais na costa venezuelana alegadamente utilizado pelo gangue Tren de Aragua, o que representaria o primeiro bombardeamento de um alvo em território venezuelano por parte de Washington.
O líder venezuelano nega as acusações e acusa os Estados Unidos de tentarem destabilizar o seu Governo e apoderar-se das reservas de petróleo do país.
A par da pressão militar, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, na quarta-feira, sanções contra quatro empresas envolvidas no transporte de crude venezuelano.
O Departamento do Tesouro norte-americano disse ter identificado "quatro petroleiros associados" a estas empresas como "ativos bloqueados", ou seja, que devem ser congelados mas que não podem ser confiscados, pois permanecem propriedade das entidades sancionadas.
Washington considera várias destas embarcações como parte da chamada "frota fantasma" que Caracas utiliza para vender crude e que "continua a fornecer recursos financeiros que alimentam o regime narcoterrorista de Maduro".
