Base de espionagem? Reino Unido aprova construção de embaixada chinesa controversa em Londres

Foto: Toby Shepheard/AFP
As autoridades britânicas aprovaram, esta terça-feira, a construção de uma nova embaixada da China em Londres, um projeto de grande dimensão que tem gerado controvérsia política e preocupações de segurança no Reino Unido.
Deputados da oposição e do partido Trabalhista, atualmente no poder, pediram ao Governo que rejeitasse o pedido, alegando que o novo complexo diplomático poderia ser usado como base de espionagem.
Críticos afirmam ainda que a futura embaixada, prevista como a maior missão diplomática chinesa na Europa, é sobredimensionada e poderá aumentar o risco de vigilância e intimidação de dissidentes chineses no exílio.
A decisão, inicialmente esperada para outubro, foi sucessivamente adiada após uma série de alegações de espionagem e de interferência política atribuídas à China, que colocaram o executivo britânico sob maior escrutínio.
O anúncio surge antes de uma viagem prevista do primeiro-ministro, Keir Starmer, à China, a primeira visita de um chefe de Governo britânico ao país desde 2018.
A nova embaixada ficará em Royal Mint Court, antigo espaço da casa da moeda britânica, próximo da Torre de Londres, terá cerca de 20.000 metros quadrados e substituirá vários edifícios oficiais chineses atualmente espalhados pela capital.
Oposição local e parlamentar alerta que o terreno fica perto de cabos subterrâneos de fibra ótica que transportam informações financeiras sensíveis entre os dois principais centros financeiros de Londres, o que, temem, poderá facilitar operações de espionagem.
O jornal Daily Telegraph noticiou ter consultado plantas do complexo, referindo a existência de "salas secretas" subterrâneas, incluindo uma "sala escondida" na cave, junto a cabos de comunicação considerados sensíveis.
Foto: Tolga Akmen/EPA
A deputada conservadora Alicia Kearns afirma que existe o risco de o governo chinês vir a aceder a dados com potencial impacto na competitividade económica.
Centenas de pessoas, entre as quais dissidentes chineses, manifestaram-se em várias ocasiões em Londres contra o projeto, argumentando que uma megaembaixada com um elevado número de funcionários poderia intensificar a repressão contra ativistas no exterior.
O terreno foi adquirido pelo governo chinês em 2018 por 225 milhões de libras (cerca de 260 milhões de euros à taxa de câmbio atual).
O pedido inicial de obras foi rejeitado pelas autoridades locais devido a receios de que a proximidade a atrações turísticas como a Torre de Londres e a Tower Bridge atraísse grandes protestos, com impacto na segurança de residentes e visitantes.
Pequim voltou a submeter o projeto após a chegada ao poder do atual governo trabalhista e queixou-se do atraso de sete anos na aprovação, acusando Londres de estar a "complicar e politizar" o processo.
Segundo as autoridades chinesas, o plano de desenvolvimento da nova embaixada é de "alta qualidade", cumpre as práticas diplomáticas e respeita as normas e procedimentos locais, tendo sido elogiado por entidades profissionais britânicas.
A China advertiu ainda para "consequências" caso o projeto viesse a ser novamente travado.
Casos recentes de alegada espionagem chinesa no Reino Unido voltaram a acender alertas em torno da presença diplomática de Pequim.
Em novembro, o serviço de segurança interna MI5 enviou um aviso a deputados, referindo esforços "direcionados e generalizados" por parte de agentes chineses para obter informação sensível.
Pequim rejeitou as acusações, classificando-as como "pura invenção" e "calúnia maliciosa".
