Da solução com González à condenação da "agressão militar": as reações portuguesas ao golpe na Venezuela

Ministro dos Negócios Estrangeiros quer ver respeitada a vontade eleitoral dos venezuelanos
Foto: António Cotrim/Lusa
Governo português quer que a vontade do povo venezuelano seja respeitada. Conselho de Estado discute o tema no dia 9 de janeiro.
Foi necessário aguardar mais de 12 horas após a intervenção dos EUA na Venezuela para que Luís Montenegro reagisse aos acontecimentos. "Estamos focados no futuro e no restabelecimento de uma democracia plena onde os venezuelanos escolham livremente o seu futuro", escreveu o primeiro-ministro, na rede social X após uma reunião com o presidente da República e o ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Paulo Rangel. O tema vai ser discutido na reunião de dia 9 do Conselho de Estado.
Se Montenegro nada mais disse e Marcelo se limitou a um curto comunicado em que afirmou estar a acompanhar a situação em articulação com o Governo, foi de Rangel a declaração mais marcante sobre o que poderá ser o futuro da Venezuela defendido por Lisboa. "A grande orientação é fazer tudo para garantir um processo democrático que vá ao encontro da vontade que os venezuelanos mostraram nas eleições e que não foi respeitada por Nicolás Maduro". Ou seja, ao reconhecimento de Edmundo González como líder legítimo da Venezuela.
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O PS, pela voz de José Luís Carneiro, considerou "inaceitável qualquer intervenção feita à margem do direito internacional". Mas colocou-se ao lado do MNE para "apoiar todas as diligências necessárias para garantir a salvaguarda e a defesa da comunidade portuguesa, o direito internacional e a cooperação com os parceiros europeus para estancar o conflito".
Já o líder do Chega e candidato presidencial, André Ventura, escreveu no X que o derrube do regime de Maduro é "um bom sinal para a liberdade em toda a região". Mais veementes foram as reações dos partidos de Esquerda. O Livre classificou os acontecimentos como "ato de agressão internacional". O PCP pediu "o fim da agressão militar e a imediata libertação do presidente da Venezuela", o BE disse que o "Governo português deve condenar imediatamente a agressão norte-americana".
Condenação geral
Da parte dos restantes candidatos a Belém, Marques Mendes considerou "mais ou menos óbvio que a intervenção não segue o direito internacional" e mostrou "preocupação" em relação aos compatriotas na Venezuela. António José Seguro alinhou pelo mesmo diapasão. "Temos cerca de meio milhão de portugueses a viver na Venezuela, e estou preocupado com essa situação. O que se passou é uma violação clara do direito internacional e da Carta das Nações Unidas", referiu.
Cotrim Figueiredo lembrou, igualmente, que "a comunidade portuguesa deve ser protegida". Já Gouveia e Melo classificou como "ilegítima" a operação. "É preocupante que países invadam a soberania de outros e que resolvam, através da força, determinadas situações".
"Escalada é um precedente perigoso"
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, mostrou a sua "profunda preocupação com a escalada de tensão na Venezuela", que considerou um "precedente perigoso". Já António Costa, presidente do Conselho Europeu, escreveu na rede social X que "a União Europeia apela uma resolução em pleno respeito pelo direito internacional e pelos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas".

