Departamento de Justiça retira documentos do caso Epstein que identificam vítimas

A publicação de ficheiros relacionados com caso Epstein incluem nomes do mundo das artes, empresas, desporto e política
Foto: Mandel Ngan/AFP
O Departamento de Justiça norte-americano afirmou, esta segunda-feira, que removeu do último lote publicado de documentos relacionados com o financeiro Jeffrey Epstein milhares de elementos que podem ter incluído informações que identificam vítimas.
Numa carta aos juízes de Nova Iorque que supervisionam os casos de tráfico sexual contra Epstein e a sua parceira Ghislaine Maxwell, o procurador federal Jay Clayton indicou que o departamento removeu quase todos os documentos cuja publicação tinha motivado queixas de vítimas ou dos seus advogados, além de um "número substancial" de outros identificados independentemente pelo governo.
Clayton disse que o departamento "reviu repetidamente os seus protocolos para lidar com documentos suspeitos" após pedidos das vítimas e dos seus advogados, atribuindo a divulgação inadvertida a erros "técnicos ou humanos".
Os documentos, adiantou, são prontamente retirados do site público quando as vítimas sinalizam alguma preocupação de que algo deva ser ocultado de um documento, que em caso de validação da queixa é republicado em nova versão "idealmente dentro de 24 a 36 horas".
O vice-procurador-geral Todd Blanche disse numa entrevista no domingo no programa "This Week", da ABC, que houve erros esporádicos, mas que o Departamento de Justiça tentou agir rapidamente para os corrigir.
"Cada vez que recebemos uma denúncia de uma vítima ou do seu advogado a informar que acreditam que o seu nome não foi devidamente ocultado, corrigimos isso imediatamente. E os números de que estamos a falar, para que o povo americano entenda, são de 0,001% de todo o material", disse Blanche.
A publicação, na sexta-feira, de mais de três milhões de ficheiros relacionados com o milionário e criminoso sexual condenado norte-americano Jeffrey Epstein incluem nomes do mundo das artes, de empresas e desporto e da política, como o secretário do Comércio, Howard Lutnick.
Lutnick, de acordo com estes documentos, planeou em 2012 visitar com a mulher a ilha de Epstein, desconhecendo-se se a visita realmente aconteceu.
O secretário tinha afirmado que não tivera mais contacto com Epstein desde que, em 2005, o casal fora convidado para tomar café em casa do consultor financeiro, uma vez que este morava mesmo ao lado.
Ao círculo de relações de Epstein pertencia também o coproprietário da equipa de futebol americano New York Giants, Steve Tisch, com quem trocou numerosas mensagens, a maior parte das quais em 2013, relacionadas com mulheres, destacou a comunicação social norte-americana.
Outra figura ligada ao desporto é Casey Wasserman, presidente do comité organizador dos Jogos Olímpicos de Los Angeles de 2028, que trocou mensagens há pelo menos 20 anos com Ghislaine Maxwell, ex-companheira de Epstein, atualmente a cumprir uma pena de 20 anos de prisão pelo seu envolvimento juntamente com o multimilionário num esquema de exploração e abuso sexual de várias raparigas menores.
Outra figura pública que reaparece nos documentos é Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Carlos III do Reino Unido caído em desgraça ao surgir no centro de um escândalo, quando uma das vítimas de Epstein afirmou que o ex-príncipe mantivera relações sexuais com ela quando era menor, com 17 anos.
Andrew Windsor interpôs-lhe um processo judicial e chegaram a um acordo antes do início do julgamento num tribunal de Nova Iorque.
Num dos e-mails agora revelados, Mountbatten-Windsor, que foi destituído dos seus títulos e obrigado a deixar o palácio onde vivia em consequência do escândalo, convida Epstein para almoçar no Palácio de Buckingham, mas não há confirmação de que esse encontro se tenha realizado.
Os milhares de documentos divulgados na sexta-feira incluem uma lista de pelo menos 12 acusações contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - que já tinha sido associado a Epstein -, por abuso sexual de menores, juntamente com o multimilionário e Maxwell.
Estas acusações, coligidas pelo FBI (a polícia federal dos Estados Unidos) no ano passado, carecem, contudo, de provas que as sustentem.
Jeffrey Epstein foi encontrado morto na sua cela de uma prisão federal em Nova Iorque, com um lençol atado ao pescoço, em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de exploração sexual.
