Detenção de criança em Minneapolis intensifica protestos contra operações anti-imigração

A revolta aumentou esta semana com o caso de Liam Conejo Ramos, de cinco anos
Foto: Olga Fedorova / EPA
Milhares de pessoas desafiaram na sexta-feira as baixas temperaturas em Minneapolis para protestar contra as grandes operações anti-imigração do Governo dos Estados Unidos, e vários negócios fecharam as portas em indignação pela detenção de um menino de cinco anos.
Restaurantes, comércios e instituições culturais encerraram atividades mais cedo após convocações para desafiar as ações dos agentes federais nesta cidade do estado de Minnesota, no norte do país.
Milhares de efetivos do Serviço de Controlo de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) estão há semanas em Minneapolis como parte da campanha do presidente Donald Trump contra a imigração irregular.
A cidade tem sido sacudida por protestos cada vez mais tensos desde que um agente federal matou a tiros a americana Renee Good, no dia 7 de janeiro, durante uma operação.
A revolta aumentou esta semana com o caso de Liam Conejo Ramos, de cinco anos, e o pai Adrian Conejo Arias, de nacionalidade equatoriana, detidos na terça-feira quando chegavam a casa.
Zena Stenvik, superintendente das escolas públicas de Columbia Heights, que o menor frequentava, disse que o menino foi usado como "isca" pelos agentes para bater à porta da casa e tentar fazer com que as pessoas no interior saíssem.
"Se não lutarmos, não vencemos, vence o fascismo", disse à AFP um manifestante que preferiu não se identificar. Esse morador da região segurava um cartaz que dizia "cinco anos, irmão", em referência ao menor. "Isto não deveria estar a acontecer com ninguém", acrescentou.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, confirmou na quinta-feira que Liam estava entre os detidos, mas explicou que os agentes tentaram protegê-lo depois do pai ter "fugido" de uma operação. "O que acham que deveria acontecer? Deveriam deixar um menino de cinco anos a morrer de frio?", questionou.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu na sexta-feira às autoridades americanas que ponham fim à "desumanização e ao tratamento prejudicial de imigrantes e refugiados".
Adrian Conejo Arias, o pai do menino, encontra-se num centro de detenção no Texas, segundo uma base de dados do ICE que não inclui o paradeiro de menores de 18 anos.
Colegas sentem a sua falta
O oficial da patrulha de fronteira, Gregory Bovino, defendeu na sexta-feira o tratamento que os seus agentes deram a Liam: "Devo dizer, de forma inequívoca, que somos especialistas em lidar com crianças", disse aos jornalistas.
O comandante do ICE, Marcos Charles, afirmou que o alvo dos agentes não era o menino e garantiu que fizeram "tudo o que podiam" para o reunir com a família, mas esta recusou-se a abrir a porta depois de o pai ter fugido dos agentes de imigração.
Segundo Charles, o menino e o pai entraram no país de forma ilegal e são "deportáveis". Porém, o advogado Marc Prokosch afirmou que a família cumpriu os procedimentos legais ao solicitar asilo em Minneapolis, uma cidade santuário na qual a polícia não coopera com as operações migratórias federais.
Uma professora da criança, identificada como Ella, disse que o menino era "um aluno brilhante". "Os colegas sentem a sua falta. Ele vem todos os dias à escola e ilumina a sala de aula. Só quero que volte são e salvo", escreveu num comunicado.
Em Minneapolis, onde as temperaturas chegaram a -23° C na sexta-feira, os manifestantes, agasalhados com gorros, luvas e cachecóis, entoaram gritos de "Fora ICE".
Outro protesto concentrou-se em em frente ao aeroporto de Minneapolis-St. Paul, de onde são deportados os detidos nas operações. Os organizadores informaram sobre 100 detenções.
Apenas uma criança
A ex-vice-presidente, Kamala Harris, também criticou a captura do menor: "Liam Ramos é apenas uma criança. Deveria estar em casa com a família, não a ser usado como isca pelo ICE e mantido num centro de detenção no Texas", escreveu na rede social X.
Ramos é uma de pelo menos quatro crianças detidas no mesmo distrito escolar de Minneapolis este mês, de acordo com autoridades locais. Crianças têm sido apanhadas nas operações federais contra a imigração, tanto sob administrações republicanas como democratas.
Minnesota solicitou uma ordem de restrição temporária para a operação do ICE no estado que, se concedida por um juiz federal, interromperia as ações. Uma audiência é esperada na segunda-feira.
