
Al-Fashir foi tomada pelo grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido há mais de uma semana
Foto: AFP
Os Emirados Árabes Unidos (EAU) expressaram esta quarta-feira apoio aos esforços para acordar uma trégua humanitária imediata e um cessar-fogo total no Sudão, com o objetivo de permitir o acesso seguro à ajuda humanitária e ao fim do conflito.
Num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros dos EAU, acusados de fornece armas às forças rebeldes neste conflito, condenou as violações e abusos contra a população civil registados em diferentes zonas do Sudão, incluindo a cidade de Al-Fashir, que foi tomada pelo grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla inglesa) há mais de uma semana.
Os EAU pronunciam-se no mesmo dia em que a Amnistia Internacional (AI) apelou a todos os Estados, "em particular aos Emirados Árabes Unidos", para que cessem imediatamente o fornecimento de armas e assistência militar aos rebeldes, que, após terem assumido o controlo da região do Darfur, avançam em direção ao Cordofão.
O governo sudanês acusou repetidamente os EAU de financiar e apoiar as RSF, que Cartum considera uma organização terrorista, uma vez que "mataram dezenas de milhares de pessoas" desde o início do conflito e cometeram "execuções extrajudiciais" após tomarem Al-Fashir.
Os Emirados, que não fizeram qualquer menção ao pedido lançado pela AI, sublinharam que os ataques contra civis, bairros residenciais e serviços essenciais em áreas de combate representam "uma grave escalada" e constituem uma violação do direito internacional humanitário e dos princípios básicos da humanidade.
No comunicado, referem que as atrocidades cometidas no país "constituem um crime contra a humanidade" e exigem uma resposta internacional unificada.
O governo dos Emirados Árabes Unidos instou as partes em conflito, o Exército do Sudão e as Forças de Apoio Rápido, a garantir a proteção da população, permitir o acesso urgente e sem obstáculos à ajuda humanitária e evitar o uso do sofrimento civil para fins políticos ou militares.
Os EAU salientaram ainda que o comunicado quadripartido sobre o Sudão, promovido em conjunto com o Egito, a Arábia Saudita e os Estados Unidos, constitui "um passo histórico" para uma saída negociada, ao propor primeiro uma trégua humanitária e, posteriormente, uma transição política civil.
A guerra no Sudão, desencadeada em 15 de abril de 2023 entre o Exército e as RSF, causou dezenas de milhares de mortos e obrigou mais de 13 milhões de pessoas a fugir das suas casas, naquela que a Organização da Nações Unidas considera atualmente a maior crise de deslocação e a pior crise humanitária do mundo.
