
Imagem de arquivo de Ghislaine Maxwell com Jeffrey Epstein
Foto: Departamento de Justiça dos EUA / AFP
Ghislaine Maxwell, cúmplice do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, recusou esta segunda-feira responder às perguntas de um comité da Câmara dos Representantes do Congresso norte-americano, invocando o direito constitucional contra a autoincriminação, anunciou o presidente republicano da comissão.
"Como previsto, Ghislaine Maxwell invocou a Quinta Emenda e recusou-se a responder a quaisquer perguntas", explicou James Comer, aos jornalistas após uma breve audição à porta fechada, realizada por videoconferência a partir da prisão no Texas onde a britânica cumpre pena.
Segundo o congressista republicano, o advogado de Maxwell indicou que a sua cliente estaria disposta a testemunhar caso recebesse um indulto presidencial de Donald Trump.
A audição ocorre num contexto de crescente atenção mediática após a divulgação, em 30 de janeiro, de mais de três milhões de documentos relacionados com o caso Epstein pelo Departamento de Justiça norte-americano.
As autoridades norte-americanas avisaram, contudo, que a documentação não contém novas provas suscetíveis de conduzir a acusações adicionais.
Apesar disso, a simples menção de nomes nos documentos tem gerado inquietação entre várias figuras públicas com ligações passadas ao empresário e milionário, condenado por crimes sexuais e que morreu em 2019 numa prisão de Nova Iorque.
Maxwell, de 64 anos, foi condenada em 2022 a 20 anos de prisão por exploração sexual de menores e tenta ainda esgotar os recursos judiciais contra a sentença.
Os advogados de Maxwell exigiam imunidade criminal do Congresso em troca do testemunho, condição que não foi aceite pelo comité da câmara baixa liderado por republicanos.
Numa carta enviada previamente a James Comer, a defesa argumentou que, sem imunidade, a audição não teria "outro propósito que não o puro teatro político e o desperdício do dinheiro dos contribuintes".
O congressista democrata Ro Khanna divulgou entretanto as sete perguntas que pretendia dirigir a Maxwell, mesmo já antecipando que a cúmplice de Epstein não responderia.
Entre elas estava a questão sobre se Maxwell ou Epstein terão facilitado o acesso do Presidente Donald Trump a menores, bem como perguntas sobre eventuais cúmplices e contactos com governos estrangeiros ou serviços de informações.
Epstein morreu numa cela de prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais nos Estados Unidos de ter abusado sexualmente de dezenas de mulheres, incluindo menores.
