
Iranianos manifestaram-se em Teerão contra EUA e Israel
Foto: Abedin Taherkenareh/EPA
O Irão acordou este domingo dividido entre o luto, a euforia e a apreensão, após a morte do líder supremo, o aiatola Ali Khamenei, que, segundo fontes oficiais citadas pela AFP, "cumpriu o seu sonho de uma vida" ao alcançar o martírio.
Na capital Teerão, as reações foram contrastantes. À medida que se espalhavam os primeiros relatos da morte, ouviram-se aplausos e gritos de celebração vindos de varandas de prédios, enquanto condutores buzinavam e faziam soar música nas ruas. "Estamos na estrada a celebrar a notícia", afirmou à AFP uma mulher na casa dos 40 anos, que decidiu deixar Teerão e seguir para oeste enquanto os ataques prosseguiam.
Outros ficaram em silêncio, incrédulos. "Estou em choque. Não consigo acreditar no que aconteceu", disse à AFP um residente de Teerão, com cerca de 30 anos.
Horas depois do anúncio oficial, milhares de pessoas vestidas de negro concentraram-se na praça Enghelab, no centro da capital. Entre lágrimas e palavras de ordem, os manifestantes empunhavam retratos do líder falecido, bandeiras iranianas e estandartes religiosos, entoando "morte à América" e "morte a Israel", exigindo vingança. Concentrações semelhantes tiveram lugar em Shiraz, Yazd, Isfahan e Tabriz, de acordo com imagens transmitidas pela televisão estatal.
As autoridades iranianas decretaram 40 dias de luto nacional e sete dias de feriado. Ao romper da manhã, vastas zonas da normalmente movimentada Teerão encontravam-se desertas, com lojas encerradas e um reforço visível de controlos policiais, superior ao observado durante a guerra de 12 dias do ano passado.
Bandeira negra
Na fronteira de Islam Qala, um jornalista da AFP observou a bandeira iraniana completamente arriada e substituída por uma bandeira negra. Ainda assim, a passagem mantinha-se aberta, com circulação regular de pessoas e camiões.
A incerteza domina muitos iranianos. "A situação no nosso país não está nada bem", disse um motorista de mercadorias, que pediu anonimato por razões de segurança. "Não sei o que vai acontecer, mas não é um bom futuro para nós". Acusou ainda os Estados Unidos de quererem apropriar-se dos recursos energéticos e minerais do Irão.
Entre os que deixaram o país está Umut, diretor de uma empresa mineira, que atravessou a fronteira de Razi-Kapikoy rumo à Turquia. Apesar de vídeos mostrarem celebrações pontuais, garante que "não houve protestos nas ruas", apenas filas nas bombas de combustível. Não acredita, porém, numa mudança imediata: "Só os nomes vão mudar. O regime deverá manter-se".

