
Fumo em Teerão, durante conflito com EUA e Israel
Foto: Abedin Taherkenareh / EPA
Washington sofreu as primeiras baixas na operação e Trump disse que iranianos querem dialogar. Retaliação de Teerão gera crise diplomática na região, enquanto europeus prometeram "ação defensiva".
O segundo dia de guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão foi marcado por anúncios de mais decapitações no centro do poder da República Islâmica, que alegou ter atingido um porta-aviões norte-americano. Mas a retaliação de Teerão, que inclui ataques aos países vizinhos, está a deixar a região e até a Europa preocupados.
Os EUA reportaram as primeiras mortes de cidadãos desde o início da Operação Fúria Épica. Segundo o Comando Central, "três militares norte-americanos foram mortos em combate e cinco ficaram gravemente feridos". "Vários outros sofreram ferimentos ligeiros por estilhaços e concussões", acrescentou.
O órgão militar rejeitou a informação dada pela Guarda Revolucionária do Irão (IRGC, na sigla em inglês), que disse ter atingido com quatro mísseis o porta-aviões USS Abraham Lincoln, no Golfo Pérsico. "Os mísseis lançados nem sequer chegaram perto", publicou horas antes de informar sobre a destruição do quartel-general da IRGC.
Donald Trump, por sua vez, sublinhou que as forças dos EUA "destruíram e afundaram nove navios iranianos". "Num ataque diferente, destruímos em grande parte o quartel-general da Marinha deles", escreveu o presidente. Frisou também que Teerão estará disposto a dialogar. "Eles querem conversar, e eu aceitei conversar, por isso vou falar com eles. Deviam tê-lo feito antes", afirmou o chefe de Estado, sem especificar quando isto aconteceria.
Já Israel anunciou a mobilização de até 100 mil reservistas, com Benjamin Netanyahu a referir que os ataques contra o Irão aumentarão e que os israelitas enfrentarão "dias dolorosos". O primeiro-ministro referia-se ao bombardeamento iraniano que atingiu o centro de Telavive na noite de sábado, que provocou a morte de uma filipina e deixou 25 pessoas feridas, e um incidente este domingo em Beit Shemesh, que resultou em nove mortos, 46 feridos e 11 desaparecidos.
A troca de ataques resultou em relatos, no Irão, de que o hospital Gandhi e a televisão estatal, na capital, foram atingidos, bem como um posto da Polícia fronteiriça em Mehran, perto do Iraque, matando 43 membros da força de segurança. O número de mortos no bombardeamento à escola feminina em Minab, no Sul, aumentou para 153, segundo os média iranianos.
Diversas explosões foram ouvidas em Teerão ao longo do dia, com Israel a dizer que deu um "duro golpe nas capacidades de comando e controlo do regime". O chefe da diplomacia do Irão prometeu uma resposta ao "ato de agressão". "Vamos defender-nos a qualquer custo e não vemos limites para nós próprios na defesa e proteção do nosso povo", argumentou Abbas Araghchi ao canal ABC News.
Golfo e Europa em alerta
Os ataques iranianos no Golfo, principalmente aos Emirados Árabes Unidos (EAU), onde três pessoas morreram, fizeram com que Abu Dhabi considerasse a ofensiva "irresponsável" e fechasse a sua embaixada iraniana, convocando de volta o embaixador. A Arábia Saudita convocou o representante iraniano em Riade para repreender Teerão.
Enquanto alguns vizinhos demonstram descontentamento, no Paquistão, multidões protestaram em várias cidades, incluindo perto do consulado dos EUA em Karachi, a favor do regime dos aiatolas. Pelo menos 17 pessoas foram mortas na repressão.
Berlim, Paris e Londres prometeram tomar "ações defensivas necessárias e proporcionais para destruir a capacidade do Irão de lançar mísseis e drones". Uma base usada pelos franceses nos Emirados foi atingida este domingo, provocando um incêndio. Já os britânicos alertaram que dois mísseis foram lançados em direção ao Chipre, onde têm bases. O presidente cipriota conversou com o primeiro-ministro do Reino Unido, que "confirmou de forma clara e inequívoca que o Chipre não era alvo".

