
O tenente Hadar Goldin foi morto em 2014 na Faixa de Gaza
Foto: Jack Guez/AFP
Israel recebeu da Cruz Vermelha os restos mortais de um refém em Gaza, anunciou, este domingo, o gabinete do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, num comunicado.
O Hamas havia anunciado anteriormente que devolveu o corpo do tenente Hadar Goldin, morto em 2014 na Faixa de Gaza e cujos restos mortais estavam retidos no território palestino desde então.
O caixão, entregue ao exército israelita e ao Shin Bet, o serviço de segurança interna, "será transferido para Israel, onde será recebido numa cerimónia militar", antes de ser encaminhado para o Instituto Nacional de Medicina Legal para que os restos mortais sejam identificados, precisa o comunicado.
Ao entregar o corpo de Goldin, e a confirmar-se que se trata de um refém, faltarão devolver os restantes quatro, que o Hamas diz estar a procurar sob os destroços em Gaza.
Goldin deixou os pais e três irmãos, incluindo um gémeo. Tinha pedido a namorada em casamento antes de morrer. No início deste ano, a família assinalou os quatro mil dias desde que o corpo foi levado. O exército recuperou este ano o corpo de outro soldado morto na guerra de 2014.
O Hamas denunciou em várias ocasiões, desde que o cessar-fogo entrou em vigor, no dia 10 de outubro, que as forças armadas israelitas não lhe permite aceder a Rafah, onde acredita que se encontrava o cadáver do soldado.
Com a entrega do corpo de Goldin restam agora quatro outros, aparentemente todos mortos, em poder do Hamas.
Meny Godard, 73 anos, foi jogador profissional de futebol antes de se alistar no exército israelita e de participar na guerra do Médio Oriente de 1973, segundo o Kibutz Be"eri. Desempenhou várias funções no "kibutz", incluindo na tipografia local.
Na manhã de 7 de outubro, Godard e a mulher, Ayelet, foram forçados a sair de casa depois de esta ser incendiada. A mulher escondeu-se nos arbustos durante várias horas até ser descoberta e morta pelos militantes. Antes de morrer, conseguiu dizer aos filhos que Meny tinha sido morto. A família realizou um funeral duplo para o casal. Deixaram quatro filhos e seis netos.
Ran Gvili, 24 anos, membro de uma unidade policial de elite, estava a recuperar de uma fratura no ombro provocada por um acidente de mota, mas apressou-se a ajudar colegas no dia 7 de outubro. Depois de auxiliar pessoas a fugir do festival de música Nova, foi morto em combate noutro local e o corpo levado para Gaza. O exército confirmou a morte quatro meses depois. Deixou os pais e uma irmã.
Dror Or, 52 anos, pai de três filhos, trabalhava na exploração leiteira do Kibutz Be"eri há 15 anos, tendo chegado a gerente. Era um especialista em fabrico de queijos, segundo familiares e amigos. Em 7 de outubro, a família escondeu-se no quarto de segurança quando os atacantes incendiaram a casa. Dror e a mulher, Yonat, foram mortos. Dois dos filhos, Noam, de 17 anos, e Alma, de 13, foram raptados e libertados durante o cessar-fogo de novembro de 2023.
Por fim, Sudthisak Rinthalak, um trabalhador agrícola tailandês que trabalhava no Kibutz Be"eri. Segundo relatos da comunicação social, era divorciado e trabalhava em Israel desde 2017.
No sábado, as autoridades de saúde da Faixa de Gaza afirmaram que mais de 69 mil palestinianos, na maioria civis, foram mortos na guerra entre Israel e o Hamas, iniciada em 7 de outubro de 2023.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, liderado pelo movimento islamita palestiniano, o número de mortos subiu para 69.169, com outros 170.685 feridos.
O último aumento das mortes é atribuído ao maior número de corpos recuperados dos escombros desde que o cessar-fogo foi anunciado na devastada Faixa de Gaza e também à identificação de corpos anteriormente não identificados.
