Jovem golfista é a primeira vítima mortal identificada da tragédia na Suíça. Processo pode levar semanas

Emanuelle Galeppini tinha 17 anos
Foto: Direitos Reservados
O jovem golfista italiano Emanuelle Galeppini foi identificado como a primeira vítima mortal do incêndio num bar da estância de esqui suíça de Crans-Montana.
O jovem de 17 anos foi identificado pela federação de golfe do país, numa publicação de despedida nas redes sociais.
La Federazione Italiana Golf piange la scomparsa di Emanuele Galeppini, giovane atleta che portava con sé passione e valori autentici. In questo momento di grande dolore, il nostro pensiero va alla sua famiglia e a tutti coloro che gli hanno voluto bene.
- Fed.Italiana Golf (@FederGolf) January 1, 2026
Emanuele, rimarrai per... pic.twitter.com/zFPW2Amcoi
"A Federação Italiana de Golfe lamenta o falecimento de Emanuele Galeppini, um jovem atleta que personificava paixão e valores autênticos. Neste momento de profunda tristeza, os nossos pensamentos estão com a sua família e com todos aqueles que o amavam", pode ler-se no post.

Investigadores tentam, nesta sexta-feira, identificar as vítimas de um incêndio que destruiu um bar na cidade de Crans-Montana, nos Alpes suíços, transformando a celebração do Ano Novo numa das piores tragédias do país. Ainda não se sabe ao certo o que provocou o incêndio no Le Constellation, que matou cerca de 40 pessoas e feriu cerca de 115 outras, muitas delas com gravidade.
Testemunhas descreveram cenas de pânico e de caos, enquanto as pessoas tentavam partir as janelas para escapar e outras, cobertas de queimaduras, se precipitavam para a rua. A polícia suíça advertiu que poderia levar dias ou mesmo semanas para identificar todos os mortos, uma espera angustiante para a família e amigos.
"Tentámos contactar os nossos amigos. Tirámos montes de fotografias e publicámo-las no Instagram, no Facebook, em todas as redes sociais possíveis para tentar encontrá-los", disse À AFP Eleonore, 17 anos. "Mas não há nada. Nenhuma resposta".
"Nem mesmo os pais sabem", acrescentou.

O número exato de pessoas que se encontravam no bar quando este se incendiou ainda não é claro, e a polícia não especificou quantas ainda estão desaparecidas. O Le Constellation tinha capacidade para 300 pessoas, além de outras 40 na esplanada, de acordo com o site Crans-Montana.
O presidente suíço Guy Parmelin, que assumiu o poder na quinta-feira, disse que o incêndio é "uma calamidade de proporções sem precedentes e aterrorizantes" e anunciou que as bandeiras estariam a meia-haste por cinco dias. "Por detrás destes números há rostos, nomes, famílias, vidas brutalmente cortadas, completamente interrompidas ou mudadas para sempre", disse Parmelin numa conferência de imprensa.
"Dada a natureza internacional da estância de Crans, é de esperar que haja estrangeiros entre as vítimas", disse o comandante da polícia local, Frederic Gisler.
O apocalipse
O incêndio deflagrou por volta da 1.30 horas (00.30 em Portugal continental) de quinta-feira no Le Constellation, um bar popular entre os jovens turistas. "Pensámos que era apenas um pequeno incêndio, mas quando lá chegámos, era uma guerra", disse Mathys, da vizinha Chermignon-d'en-Bas, à AFP. "É a única palavra que posso usar para o descrever: o apocalipse".
Nathan, que estava no bar antes do incêndio, viu pessoas queimadas a saírem do local. "Estavam a pedir ajuda, a gritar por socorro", disse.
As autoridades recusaram-se a especular sobre as causas da tragédia, dizendo apenas que não se tratou de um atentado.
Vários relatos de testemunhas, difundidos pelos meios de comunicação social suíços, franceses e italianos, apontam para artefactos pirotécnicos aparentemente em garrafas de champanhe erguidas pelos empregados do restaurante, como parte de um "espetáculo" regular para os clientes que faziam pedidos especiais para as suas mesas.

Havia "empregadas de mesa com garrafas de champanhe e pequenos foguetes. Aproximaram-se demasiado do tecto e, de repente, tudo se incendiou", disse Axel, uma testemunha, ao meio de comunicação italiano "Local Team".
A procuradora-chefe do cantão, Beatrice Pilloud, disse que os investigadores iriam averiguar se o bar cumpria as normas de segurança e se tinha o número necessário de saídas. Fita vermelha e branca, flores e velas adoranm a rua onde ocorreu a tragédia, enquanto a polícia protege o local com telas brancas.
Écoute-moi bien, parce que je ne vais pas mâcher mes mots : ce massacre au Constellation à Crans-Montana n"est pas un "accident". C"est un carnage prévu, une chaîne de négligences criminelles qui schlingue la cupidité à plein nez et le mépris absolu pour la vie des jeunes.
- Tony Truant (@TonyTruant01) January 2, 2026
Oui,... pic.twitter.com/yQd1pSZPjV
Depois de as unidades de emergência dos hospitais locais terem ficado cheias, muitos dos feridos foram transportados por várias regiões da Suíça e para países vizinhos.
A União Europeia disse que tem estado em contacto com as autoridades suíças sobre a prestação de assistência médica, enquanto o presidente francês Emmanuel Macron disse que alguns dos feridos estavam a ser tratados em hospitais franceses.
O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, disse à emissora italiana Rete 4 que cerca de 15 italianos ficaram feridos no incêndio e que um número semelhante continua desaparecido.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros francês afirmou que nove cidadãos franceses se encontravam entre os feridos e que oito outros continuavam desaparecidos. Portugal está atento ao desenrolar da situação, mas ainda não tem informações sobre cidadãos nacionais.
Várias fontes disseram à AFP que os proprietários do bar são de nacionalidade francesa: um casal originário da Córsega que, de acordo com um familiar, está a salvo, mas que não foi contactado desde a tragédia.
