"Estamos a reconquistar o que é nosso": Ministro israelita içou bandeira na Cisjordânia ocupada

Bandeiras israelitas ao longo da estrada na Cisjordânia
Foto: Jaafar Ashtiyeh/ AFP
O ministro do Património israelita, Amichay Eliyahu, hasteou esta segunda-feira pela primeira vez a bandeira Israel no Monte Sartaba, na Cisjordânia, declarando que o enclave palestiniano está a ser reconquistado.
"Pela primeira vez, a bandeira israelita foi hasteada no topo do Monte Sartaba, a 650 metros acima do Vale do Jordão. Estamos a reconquistar o que é nosso", disse Amichay Eliyahu. O momento foi filmado e divulgado nas redes sociais.
A presença de bandeiras israelitas - colocadas sobretudo por colonos - ao longo das principais estradas que conduzem ao Vale do Jordão tem aumentado nos últimos meses, juntamente com inscrições e símbolos judaicos como a Estrela de David.
O ministro do Património acrescentou que o "povo de Israel" vive e caminha em cada canto da terra histórica.
Eliyahu é um dos ministros mais controversos do Governo de coligação de Benjamin Netanyahu. O ministro integra o partido de extrema-direita Poder Judaico, tal como o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir.
Em diversas ocasiões, Eliyahu fez declarações que Netanyahu rejeitou: por exemplo, propôs o lançamento de uma "bomba atómica" contra a Faixa de Gaza no início da ofensiva israelita, em outubro de 2023.
Amichay Eliyahu defendeu ainda a criação de novos colonatos e a completa anexação da Cisjordânia, tendo sido apoiado por Ben Gvir e pelo ministro das Finanças israelita, Bezalel Smotrich.
Nas últimas semanas, o Governo aprovou várias medidas sem precedentes na Cisjordânia, incluindo a permissão para que o Estado de Israel registe como terras israelitas zonas da "Área C", onde vivem entre 150 mil a 300 mil cidadãos palestinianos.
Neste sentido, várias organizações não-governamentais de Israel alertaram que quanto maior for o registo de território palestiniano como propriedade do Estado israelita, maior será a aplicação da soberania em questões de segurança assim como a expansão dos colonatos.
Para os defensores dos direitos humanos de Israel as medidas governamentais vão reduzir ainda mais a mobilidade e a capacidade dos cidadãos palestinianos permanecerem na Cisjordânia.
