
Forças Aramdas de Malta/Reuters
O "enésimo" naufrágio, desta vez em águas territoriais de Malta fez 34 mortos, entre os quais 10 menores, e voltou a transformar o Canal da Sicília num "cemitério a céu aberto", descreve a Efe. Entretanto, surgiu na internet um vídeo do alegado momento em que naufragou esta última embarcação.
Os 34 mortos do naufrágio ocorrido na sexta-feira juntam-se aos 339 corpos recuperados do afundamento de um navio no dia 3 de outubro a poucos quilómetros da ilha siciliana de Lampedusa.
A Marinha de Malta explicou que o naufrágio que vitimou as 34 pessoas aconteceu no momento em quem um avião de vigilância do Canal da Sicília sobrevoava a barcaça com 250 emigrantes a bordo e que começaram a agitar-se para serem avistados, o que fez com que a embarcação tivesse adornado.
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Nas operações de resgate, que se prolongaram durante toda a noite, participaram navios da Marinha italiana, a pedido de Malta, e segundo as autoridades de La Valeta, é ainda possível que o número de mortos venha a aumentar.
Os sobreviventes deste novo naufrágio no Canal da Sicília foram transportados para bordo de dois navios da Marinha de Itália e para uma embarcação com pavilhão maltês.
Uma parte dos sobreviventes vai ser transportada para a ilha siciliana de Lampedusa e os restantes para Malta.
Mais uma vez, o cais de Favorolo de Lampedusa, vai voltar a receber cadáveres, depois da tragédia de 03 de outubro.
Nove sobreviventes do naufrágio de sexta-feira tiveram de ser transportados de helicóptero para Lampedusa onde receberam tratamento médico, entre eles uma família constituída pelo pai, a mãe e um bebé de nove meses, sendo que o filho de três anos perdeu a vida durante a noite.
"Na próxima cimeira europeia não vou abandonar a sala sem que haja soluções reais" disse sexta-feira o primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, que já contactou o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.
O primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, acompanhado pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso visitaram Lampedusa esta semana e afirmaram que a questão da emigração deve ser debatida -- com urgência -- na cimeira europeia.
Durante a visita, Durão Barroso foi vaiado pelas pessoas que se encontravam junto ao molhe, em Lampedusa e que reclamavam medidas.
De acordo com as últimas informações do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), 32 mil pessoas cruzaram o Canal da Sicília este ano, tendo chegado à Sicília e a Malta.
Cerca de sete mil emigrantes morreram nos últimos dez anos quando tentavam atravessar o Mediterrâneo na mesma zona.
Esta madrugada, na altura em que se verificavam as operações de resgate, a Guarda Costeira italiana teve de prestar auxílio a duas embarcações que se encontravam em dificuldades no Canal da Sicília: uma lancha em que viajavam 85 emigrantes e outra com 185 pessoas a bordo, entre as quais 34 mulheres e 49 crianças que foram depois transportadas para Lampedusa.
Hoje chegou a Lampedusa o navio da Marinha de Guerra de Itália "Cassiopea" que vai ajudar a distribuir alguns dos 339 caixões com os cadáveres das vítimas dos naufrágios por vários pontos da ilha onde as populações mostraram disposição para os sepultar.
Por outro lado, continua de forma lenta, o transporte dos sobreviventes para outros pontos de acolhimento tendo hoje abandonado Lampedusa em direção a Caltagirone na Sicília um grupo de 33 menores da Eritreia que chegou sozinho à ilha e que vão ser acolhidos pela igreja local.
