
Nove pessoas ficaram feridas com gravidade
Foto: Tayfun Salci / EPA
No sábado à noite, 11 pessoas foram esfaqueadas num comboio de Doncaster para Londres, no Reino Unido. Nove pessoas ficaram feridas com gravidade e duas continuam em risco de vida. Um homem britânico de 32 anos é o único suspeito. A polícia descartou qualquer ligação a um ataque terrorista.
Onde aconteceu o ataque?
O esfaqueamento ocorreu no comboio das 18.25 horas locais (a mesma hora em Portugal continental) da operadora London North Eastern Railway (LNER), que fazia a ligação de Doncaster, em South Yorkshire, à estação de King's Cross, em Londres.
Os passageiros reportaram que pelo menos um atacante com uma faca começou a esfaquear pessoas no comboio após a passagem por Peterborough, em Cambridgeshire.
O comboio fez uma paragem não programada em Huntingdon, que fica a cerca de 15 minutos de viagem de Peterborough. Estima-se que o ataque tenha durado entre 10 a 15 minutos e os passageiros disseram que aconteceu na parte final do comboio.
Como foi a resposta das autoridades?
A polícia de Cambridgeshire recebeu o primeiro alerta de passageiros a bordo pelas 19.39 horas e a Polícia de Transportes Britânica (BTP) foi também avisada às 19.42 horas.
Equipas de emergência e a polícia acorreram à estação de Huntingdon, em Cambridgeshire. A polícia armada entrou no comboio e deteve dois homens no espaço de oito minutos desde a chamada para a BTP. Segundo um passageiro citado pela Sky News, a polícia usou um taser para imobilizar um homem armado com uma faca.
Várias unidades de resposta de emergência foram mobilizadas para o local, incluindo helicópteros. Pouco depois das 21 horas, encontravam-se no local cerca de 10 ambulâncias, vários carros de bombeiros e mais de 20 carros da polícia, segundo reportou o agente Ben Obese-Jecty à BBC.
As pessoas que saíram ilesas foram ouvidas pela polícia e algumas entraram num autocarro com destino a Londres.
A estação de Huntingdon permaneceu encerrada este domingo de manhã, assim como a autoestrada A1307, mesmo em frente. O comboio vazio ainda estava na plataforma, enquanto decorriam testes forenses.
O que se sabe sobre os suspeitos?
O superintendente John Loveless, da BTP, informou, inicialmente, que dois cidadãos britânicos foram detidos. Contudo, ao final da tarde deste domingo, a polícia disse considerar apenas um dos detidos como suspeito do ataque.
"Os detetives que investigam o ataque com faca em massa num comboio em Cambridgeshire confirmam esta noite que um homem de 32 anos, que foi detido, é agora tratado como o único suspeito", refere num comunicado.
O suspeito de tentativa de homicídio, natural de Peterborough, onde entrou no comboio, permanece detido. O outro homem de 35 anos detido no local, residente em Londres, foi libertado sem acusações.
Leia também Polícia britânica considera apenas um suspeito do esfaqueamento no comboio
O que se sabe sobre as vítimas?
As equipas de emergência transportaram 10 pessoas para o Hospital Addenbrookes, em Cambridge, que fica a cerca de 30 minutos da estação de comboio. Um dos feridos seguiu mais tarde para receber tratamento hospitalar.
Pouco antes das 11 horas de domingo, a polícia confirmou que duas vítimas continuavam a correr risco de vida e que quatro tinham recebido alta.
A identidade das vítimas não foi divulgada. Um dos feridos em estado crítico é um funcionário da ferrovia, que seguia no comboio, e tentou impedir o agressor. "Os detetives analisaram as imagens das câmaras de segurança do comboio e ficou claro que as suas ações foram verdadeiramente heroicas e, sem dúvida, salvaram a vida de muitas pessoas", disse a polícia em comunicado.
O que disseram as testemunhas?
Testemunhas relataram à BBC o pânico e a confusão enquanto as pessoas corriam pelas carruagens, algumas feridas e ensanguentadas. Alguns passageiros esconderam-se nas casas de banho, enquanto outros se aglomeraram na frente do comboio. Nos altifalantes soou um alarme e uma mensagem a informar de um "incidente" na carruagem J.
Alistair Day contou à BBC que se escondeu na carruagem de restauração com cerca de 11 outros passageiros, enquanto o agressor tentava entrar. Foi abordado por um homem que lhe disse calmamente que tinha sido esfaqueado no peito. "Ele estava todo ensanguentado, por isso pressionámos o ferimento e segurámo-lo", recordou.
Olly Foster disse que ouviu pessoas a gritar "corram, há um tipo a esfaquear toda a gente" e que, inicialmente, pensou tratar-se de uma brincadeira de Halloween. Viu um homem mais velho com cortes na cabeça e no pescoço depois de "impedir" o agressor de esfaquear uma rapariga mais nova. Os passageiros usaram casacos para tentar estancar a hemorragia.
Dean McFarlane, funcionário do metro de Londres, disse à BBC que viu várias pessoas a correr pela plataforma em Huntingdon, a sangrar, e um homem de camisa branca "completamente coberto de sangue".
Quais são os motivos do ataque?
A Polícia de Transportes Britânica declarou um incidente grave e afirmou inicialmente que os agentes antiterrorismo estavam a apoiar a investigação, "para estabelecer todas as circunstâncias e motivações deste incidente".
A dada altura foi declarado o código nacional usado pelos serviços de emergência para um ataque terrorista - "Plato" - mas seria retirado mais tarde.
O superintendente Loveless confirmou numa conferência de imprensa, este domingo de manhã, que "não há nada que sugira que se trate de um incidente terrorista".
O comissário Chris Casey pediu à população que não "especulasse sobre as causas do incidente" e o secretário da Defesa, John Healey, disse à BBC que os primeiros relatos indicavam que se tratava de um incidente isolado.
Quais são as reações ao ataque?
O primeiro-ministro Keir Starmer disse que o "terrível incidente num comboio perto de Huntingdon é profundamente preocupante". "Os meus pensamentos estão com todos os afetados e os meus agradecimentos aos serviços de emergência pela sua resposta", escreveu na rede social X.
The appalling incident on a train near Huntingdon is deeply concerning.
- Keir Starmer (@Keir_Starmer) November 1, 2025
My thoughts are with all those affected, and my thanks go to the emergency services for their response.
Anyone in the area should follow the advice of the police.
O rei Carlos III emitiu um comunicado a apresentar as "mais profundas condolências" aos afetados e aos seus entes queridos. "A minha mulher e eu ficámos verdadeiramente consternados e chocados ao saber do terrível ataque com faca que ocorreu a bordo de um comboio em Cambridgeshire, na noite passada", disse, acrescentando um agradecimento aos serviços de emergência.
A líder conservadora Kemi Badenoch disse à BBC estar "horrorizada" com o ataque. "Só posso imaginar o quão assustador deve ter sido estar num ambiente fechado com alguém a agir desta forma", afirmou. Elogiou a resposta de emergência ao incidente e pediu às pessoas que não especulassem, questionando por que razão "estamos a ver cada vez mais violência nas nossas ruas", apesar dos esforços para combater o crime com facas.
A ministra dos Transportes, Heidi Alexander, confirmou que uma forte presença policial foi mobilizada em estações por todo o país para tranquilizar os viajantes. Esta mobilização permanecerá em vigor por vários dias, informou uma fonte do governo à agência de notícias Associated Press.

